O governo federal reagiu nesta quinta-feira (16/7) à decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e classificou a medida como um “marco lastimável” nas relações entre os dois países. Em nota oficial, a Presidência da República repudiou a decisão do governo norte-americano, afirmando que a taxação é unilateral e não possui justificativa econômica ou comercial.
Segundo o governo brasileiro, dados das próprias autoridades norte-americanas mostram que os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços nas relações comerciais com o Brasil nos últimos 15 anos. Além disso, a nota destaca que, em 2025, 76% das importações vindas dos EUA entraram no Brasil sem pagar imposto de importação e que a alíquota média efetivamente aplicada aos produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%.
O Palácio do Planalto também afirmou que não reconhece a legitimidade das investigações conduzidas pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mas ressaltou que o Brasil participou das negociações e apresentou argumentos para contestar todas as acusações.
Entre os temas citados estão as críticas ao sistema de pagamentos PIX, à regulação das plataformas digitais e às políticas ambientais brasileiras. O governo defendeu o PIX como um patrimônio nacional e referência internacional, além de afirmar que houve redução significativa do desmatamento desde 2023.
Na nota, o Executivo também afirma que a maioria das manifestações apresentadas durante audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) foi contrária ao aumento das tarifas. Ainda de acordo com o governo, o Brasil continuará buscando novos mercados para seus produtos, citando os acordos firmados pelo Mercosul com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura.
Como resposta ao tarifaço, o governo anunciou que iniciará imediatamente os trâmites para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica e que retomará o caso no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). A administração federal também informou que o Plano Brasil Soberano será utilizado para proteger os setores afetados e preservar empregos e a capacidade produtiva nacional.
Ao final do comunicado, o governo faz críticas à família Bolsonaro, afirmando que houve colaboração ativa nas investigações conduzidas pelos Estados Unidos e classificando seus integrantes como “falsos patriotas”. A nota encerra dizendo que a defesa da soberania nacional está acima de disputas partidárias e que o governo não abrirá mão de protegê-la.
