O senador Jaques Wagner (PT-BA) confirmou nesta quarta-feira (24/6) que deixará a liderança do governo no Senado, cargo que ocupava desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi tomada após uma reunião de cerca de duas horas entre os dois no Palácio da Alvorada.
Em nota divulgada nas redes sociais, Wagner afirmou que a saída ocorreu “em comum acordo” com Lula e que, neste momento, pretende concentrar esforços em sua defesa após ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) relacionada às investigações envolvendo o Banco Master.
“Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado”, escreveu o parlamentar.
A saída ocorre uma semana depois de a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador durante a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas vantagens econômicas relacionadas ao Banco Master.
Jaques Wagner nega irregularidades
As investigações apontam suspeitas de que o senador teria recebido benefícios econômicos de forma direta ou indireta ligados ao empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master.
Segundo a investigação, Wagner é suspeito de ter sido beneficiado por operações envolvendo um apartamento em Salvador, além de repasses feitos a uma empresa ligada a familiares e da compra de ingressos para um show da cantora Taylor Swift, nos Estados Unidos.
Durante a operação, a Polícia Federal também apreendeu dólares, euros e relógios em um imóvel ligado ao senador.
Jaques Wagner nega qualquer irregularidade. A defesa afirma que ele jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer o Banco Master e sustenta que os valores em moeda estrangeira encontrados são provenientes de diárias oficiais recebidas durante viagens internacionais realizadas como senador.
Na segunda-feira (23/6), os advogados recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular a operação, alegando que a decisão que autorizou as buscas contém “erros graves”.
Aliado histórico de Lula
Jaques Wagner é um dos aliados mais antigos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integra o núcleo político mais próximo do petista há décadas.
Ele foi anunciado como líder do governo no Senado ainda em dezembro de 2022, antes mesmo da posse de Lula para o terceiro mandato presidencial.