Deputados estaduais de Minas Gerais relataram ter recebido ameaças de morte por e-mail e mensagens de WhatsApp de um homem que se identifica como policial militar. Nas mensagens, o suspeito afirma que poderá atacar os 77 parlamentares da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e ameaça diretamente uma deputada. A reportagem da Rede 98 teve acesso às conversas por meio de integrantes da Casa. Nesta sexta-feira (6/11), a vice-presidente da Assembleia, Leninha (PT), assinou uma representação criminal contra o investigado e aderiu ao pedido de medidas cautelares de proteção.
Em uma das mensagens encaminhadas aos parlamentares, o autor afirma que qualquer um dos deputados poderá ser atacado.
“A partir de agora, qualquer lugar que qualquer um dos 77 deputados estaduais pisarem está sujeito a ataque”, escreveu.
Os e-mails foram enviados a quase todos os integrantes da Assembleia, com deputados federais incluídos em cópia. O homem também teria anexado uma identificação funcional para sustentar sua alegação de que integra a Polícia Militar.
Nas conversas de WhatsApp obtidas pela Rede 98, o suspeito faz ameaças explícitas contra uma parlamentar.
“Quero saber se a deputada vai querer dar valor à vida dela? Ou prefere tentar lutar? Eu garanto que ela perde”, escreveu.
Em outra mensagem, afirmou: “Não tenho receio de matá-la”.
O homem também ameaçou enfrentar as forças de segurança caso a deputada recorresse à proteção do Estado.
“Se ela se esconde atrás da força do Estado. Lutarei contra o Estado. Na mesma força”, declarou. Em seguida, voltou a ameaçar a parlamentar: “Se não me respeitar, vou matá-la”.
Uma deputada ouvida pela Rede 98, sob condição de anonimato, confirmou o recebimento das mensagens e relatou que o suspeito se apresenta como policial militar, possivelmente reformado. A condição funcional do homem ainda não foi confirmada oficialmente.
Leninha assina representação criminal e cobra providências
A vice-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Leninha (PT), formalizou nesta sexta-feira (6/11) sua participação no processo que investiga as ameaças contra os parlamentares. Em nota à imprensa, a deputada informou que assinou uma representação criminal contra Kleiton Vieira Leles, identificado como investigado pelas ameaças, e aderiu ao pedido de medidas cautelares de proteção.
Na condição de presidenta interina da Assembleia, Leninha também acionou a delegada da Polícia Civil para orientar os demais deputados a se manifestarem no processo em andamento. A parlamentar afirmou que aguarda a apuração dos fatos e a adoção das providências cabíveis pelas autoridades competentes.
Em conversa com a Rede 98, Leninha questionou a atuação das forças de segurança diante do histórico de ameaças.
“Orientei que assinássemos juntos o inquérito em andamento”, afirmou.
“Mas, como é um caso mais antigo e agora ele volta com as ameaças, não entendo por que nada foi feito pelas forças de segurança”, acrescentou.
O caso já é investigado pela Polícia Civil após um boletim de ocorrência registrado pelo deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL). de ocorrência registrado pelo deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL).
Suspeito já havia enviado mensagens aos deputados
Antes das ameaças de morte, o homem havia encaminhado uma série de e-mails aos parlamentares, incluindo cinco mensagens em um único dia de julho. Nos textos, afirmava ter solicitado uma investigação ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e alegava ter sofrido retaliações após apresentar denúncias relacionadas à Polícia Militar.
O autor também acusava deputados de ignorarem seus pedidos de ajuda e de distorcerem suas denúncias para evitar providências. Em uma das mensagens, questionou a atuação dos representantes estaduais.
“Gostaria de saber se os deputados estaduais de Minas Gerais servem para alguma coisa? Ou são apenas fantoches?”, escreveu.
Posteriormente, o conteúdo das mensagens passou a incluir ameaças diretas. Nos últimos quatro e-mails, o homem ampliou a lista de destinatários e chegou a relacionar nomes de parlamentares que afirmava que não procuraria mais para obter respostas e que ameaçava matar.
Nas conversas mais recentes, o suspeito voltou a reclamar da falta de diálogo e afirmou que não aceitaria o que classificou como desrespeito.
“Veremos quem prevalece”, escreveu em uma das mensagens.
As polícias Civil e Militar e o Ministério Público foram acionados sobre o caso. A reportagem da Rede 98 aguarda posicionamentos sobre o andamento das investigações e as medidas de proteção aos parlamentares.