A Polícia Federal (PF) pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mais 90 dias para investigar a origem dos recursos utilizados no financiamento de Dark Horse, filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O pedido foi apresentado na quinta-feira (15/10), após o prazo inicial do inquérito vencer no dia 10. A investigação apura possíveis irregularidades em repasses de US$ 12,3 milhões ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo a suspeita de que parte do dinheiro possa ter sido destinada ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).
O inquérito foi aberto no fim de julho. Desde então, a PF reuniu informações da Agência Nacional do Cinema (Ancine), da produtora Go Up, responsável pela execução do filme, e de pessoas envolvidas nas operações financeiras.
Um dos principais pontos da investigação é a participação da empresa Entre Investimentos e Participações, pertencente ao empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. A suspeita é que a companhia tenha sido utilizada para transferir recursos de Vorcaro à produção cinematográfica.
Em depoimento à PF, Freixo confirmou que a empresa realizou sete remessas ao fundo norte-americano Havengate Development Fund LP, que administrava os recursos destinados ao filme e os encaminhava à Go Up Entertainment. As transferências somaram US$ 12,3 milhões.
Segundo o empresário, os pagamentos ocorreram a pedido de Fabiano Zettel, com confirmação de Daniel Vorcaro.
Freixo afirmou que a operação havia sido apresentada como um investimento em um fundo imobiliário dos Estados Unidos, associado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. Ele declarou que não sabia da destinação dos recursos para a produção de Dark Horse.
O empresário disse ter descoberto a ligação com o filme por meio da imprensa. Após tomar conhecimento, teria solicitado a devolução dos valores, mas não recebeu resposta. Também negou contato com agentes políticos e outras pessoas envolvidas na produção.
A PF recebeu documentos apresentados por Freixo durante o depoimento. Uma análise preliminar confirmou o número de transferências, os valores movimentados, as instituições financeiras envolvidas e o destinatário dos recursos.
Os investigadores, entretanto, identificaram divergências entre a documentação e as declarações do empresário, o que exige novas verificações.
PF ainda precisa analisar movimentações financeiras
No pedido encaminhado ao STF, a Polícia Federal informou que ainda precisa realizar uma perícia contábil-financeira, analisar dados telemáticos e obter registros de instituições estrangeiras por meio de cooperação jurídica internacional.
Também estão pendentes requisições complementares de informações para esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro e sua destinação.
Uma das linhas de investigação busca identificar se todos os recursos atribuídos a Vorcaro foram efetivamente utilizados na produção do filme. A PF também apura a suspeita de que parte dos valores possa ter sido encaminhada a Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.
O ex-deputado nega ter recebido repasses.
As parcelas destinadas ao financiamento de Dark Horse foram negociadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República.
O pedido de prorrogação ainda depende de decisão do ministro André Mendonça. As suspeitas investigadas pela PF não representam, até o momento, uma conclusão sobre a ocorrência de irregularidades ou desvio de recursos.