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Tarifaço: Diego Andrade defende diálogo e propõe encontro de contas para aliviar dívida de Minas

Por

Roberth R Costa

Roberth R Costa
  • 01/08/2025
  • 09:03

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Em entrevista à 98 News, nesta sexta-feira (1/8), o parlamentar afirmou que medidas de retaliação só devem ocorrer se o diálogo for esgotado (Câmara dos Deputados/Divulgação)

Em entrevista à 98 News, nesta sexta-feira (1/8), o parlamentar afirmou que medidas de retaliação só devem ocorrer se o diálogo for esgotado (Câmara dos Deputados/Divulgação)

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O deputado federal Diego Andrade (PSD-MG) avalia que o Brasil deve priorizar negociações diplomáticas para reduzir os impactos do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Em entrevista à 98 News, nesta sexta-feira (1/8), o parlamentar afirmou que medidas de retaliação só devem ocorrer se o diálogo for esgotado.

“Eu acho que a gente tem que tentar esgotar todas as possibilidades de retirar essa tarifa. Retiraram de alguns produtos e a gente precisa ampliar os produtos que estejam fora e, de forma direta, vamos trabalhar para que a gente consiga, especialmente, focar nos produtos muito importantes aqui para Minas Gerais, como o café. E eu acredito que qualquer tipo de medida nesse sentido só seria necessária se esgotarem as negociações”, disse.

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“A gente está vivendo um momento no Brasil de muita, de muita tensão ideológica entre direita e esquerda, mas estamos precisando é de mais gente centrada para poder negociar, para conversar e para fazer as coisas avançarem”, defendeu.

“Eu acho que foi, graças a Deus, um pouco mais leve [o tarifaço] do que a gente esperava, porque a gente não via, por parte dos interlocutores do governo, tanto esforço para redução dessas taxas. Mas eu acredito que a gente pode avançar para reduzir ainda mais em vários produtos”, disse.

Negociações setoriais

Questionado sobre a possibilidade de negociações diretas por setores estratégicos, como o do café, Andrade disse que é possível buscar sensibilidade junto a entidades e ao mercado americano, mesmo que os governos não tenham portas abertas imediatas.

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“Exatamente. E a gente, até para poder fazer alguma medida de tarifa contra os Estados Unidos, caso chegue nesse ponto, precisa ser seletivo. De checar aquilo que não vai impactar o cidadão brasileiro de forma também cruel, para saber onde agir de forma cirúrgica para ir melhorando essa negociação e estabelecer, com diplomacia, um caminho que proteja o povo brasileiro. É o que a gente tem que fazer”, afirma.

P”olítica é o caminho da conversa, do diálogo e do respeito. E é o que a gente, às vezes, não tem visto aí nesses radicalismos aqui no Brasil. Isso acaba refletindo em medidas duras fora daqui. E esse radicalismo, ele está deixando também a política e indo para o Supremo, o que é um absurdo. Onde a gente precisaria, deveria, encontrar um pouco mais de equilíbrio”, disse.

“A gente está vendo aí decisões e posições de alguns ministros radicais, inflamando ainda mais esse radicalismo no país. Isso é muito ruim e a gente espera que esse tempo vire logo para a gente ter o foco no que verdadeiramente interessa, que são os problemas do país e os problemas também do estado de Minas Gerais. A gente tem feito o mandato da gente focando nisso, que é o que interessa aos mineiros: melhorar a vida de todos”, afirmou.

Minas e Energia na pauta

O deputado, que recentemente foi conduzido à presidência da Comissão de Minas e Energia da Câmara, comentou os desafios do setor.

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“O energético brasileiro, o que a gente fica incomodado, é de ver o país com uma planta limpa, eficiente, um sistema integrado, mas com uma conta cara ainda para o cidadão. Então, o foco principal é fazer com que a conta para o cidadão, para todos nós que estamos todo dia pagando, seja reduzida. A conta de luz é cruel. A gente lembra dela quando o boleto chega na nossa casa”, explica.

“Mas a gente tem que lembrar que no pãozinho da padaria tem conta de luz, no combustível do carro tem conta de luz, na roupa que a gente compra, a indústria gastou luz, e está tudo embutido. E a gente precisa avançar. É um setor que carece ainda de melhorias”, defende.

“Hoje tem uma medida provisória, que é a 1300, que eu aprofundei bastante nela. Acho que ela é positiva para modernizar o setor, beneficiando milhões de brasileiros. Eu tenho defendido a sua aprovação e tentando também avançar com projetos importantes”, continua.

“Por exemplo: hoje nós temos corte de energia. Ou seja, estão jogando fora energia durante o dia, principalmente por conta dos 40 GB injetados no sistema pela fotovoltaica. E olha só: a lei ainda é de 2005. Para o agricultor que queira irrigar e produzir com energia barata, hoje ele só pode contratar essa energia à noite, porque a lei assim prevê, sendo que o sistema já modernizou, já entrou o sistema fotovoltaico e hoje tem sobra de energia de dia”, disse.

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“Então o Congresso não pode estar atrás. Ele tem que estar mais ágil e dando respostas mais eficientes. Na questão do setor energético, a gente focou muito nessa questão”, afirma.

“E na questão do setor mineral, que a gente sempre trabalhou, é que a gente tem uma mineração importante, mas com mais justiça social. A gente não pode ver recurso para o Estado de Minas Gerais, especialmente para os estados mineradores — a maior parte da mineração está em Minas e no Pará — só quando tem tragédia e quando tem morte. Isso está errado”.

“A gente precisa de contrapartidas melhores e mais eficientes para o nosso estado, que hoje vive uma situação financeira drástica, como a dívida de 170 bilhões, que fere de morte os investimentos em infraestrutura, a remuneração dos professores, o fortalecimento do salário dos nossos policiais e dos profissionais da saúde”, detalhou.

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PL 2757/2025 e o encontro de contas

Diego Andrade destacou como prioridade o PL 2757/2025, que propõe abater da dívida de Minas todo recurso que a União receber em decorrência dos acordos de Mariana e Brumadinho.

“Então, a minha proposta é que os recursos, todo e qualquer recurso que entra na União fruto da tragédia, sejam automaticamente abatidos da dívida de Minas no encontro de contas. É uma posição lógica, porque não pode o Estado estar todo endividado e a gente sabe que a origem dessa dívida foi uma iniciativa da União lá atrás, em tirar uma arrecadação de Minas Gerais”.

“Mas tudo bem, hoje nós estamos com a situação posta. E por isso apresentei esse projeto e espero que ele seja distribuído brevemente pelo presidente da Câmara, e que toda bancada, o governador e os senadores apoiem. Ainda que a gente não consiga fazer a compensação integral de todos os recursos, parte dessa compensação já valeria pelo menos uma estabilização forte da dívida de Minas”.

“O que é que a gente está defendendo? A gente está defendendo que o policial tenha um salário melhor, que a gente tenha mais policiais nas ruas, que a gente tenha estradas melhores, uma saúde mais eficiente e uma educação mais forte, com professores valorizados. Porque é o mesmo dinheiro do caixa do Estado. Se a gente não conseguir achar uma saída para essa dívida, realmente o Estado segue ferido”, explicou.

Radicalismo e necessidade de equilíbrio

Ao final da entrevista, Diego Andrade reforçou que acredita na política do equilíbrio e do diálogo.

“Eu gostei muito de uma entrevista que eu vi do Arnold, né? Eu sempre fui fã dele como artista e como governador da Califórnia. E ele dizendo que as coisas, para serem resolvidas, a gente precisa ir pelo caminho do centro e do equilíbrio”, afirma.

“A gente tem que tentar ter um pouco mais de pé no chão. Eu acho que Deus nos ensina muito: nos deu uma perna direita e uma perna esquerda justamente para a gente andar para a frente”.

“Não é o radicalismo para a direita nem o radicalismo para a esquerda que vai levar a gente a lugar nenhum. É possível ser firme com seus princípios, defender a saúde, a família, o produtor rural — que são prioridades minhas ao longo da minha vida pública —, mas sem radicalismo”, disse.

“Acho que tem que ter inteligência. Foi assim que eu conduzi a bancada mineira por 5 anos. Foi assim que conduzi a maioria no Congresso Nacional no governo Bolsonaro, na liderança do PSD. E é assim que estou exercendo meu quarto mandato como um dos deputados mais votados de Minas Gerais.”

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Atuo há quase 13 anos com jornalismo digital. Coordenador Multimídia. Rede 98 | 98 News

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