Cirurgias plásticas e procedimentos estéticos realizados em homens dobraram nos últimos sete anos no Brasil. O crescimento, que já é consistente nos consultórios, reflete uma mudança de comportamento do paciente masculino: mais informado, mais aberto ao diálogo e com expectativas mais realistas do que em gerações anteriores.
A avaliação é de Thiago Martins, biomédico mineiro, mestre em Medicina Estética e professor universitário. Segundo ele, os homens que chegam hoje ao consultório já chegam familiarizados com técnicas e ativos dermatológicos — motivados, principalmente, por demandas profissionais, exposição nas redes sociais e maior valorização da imagem pessoal.
Os procedimentos mais procurados
Entre os não invasivos, a toxina botulínica para suavização de rugas dinâmicas lidera a demanda. Bioestimuladores de colágeno, preenchimento facial com ácido hialurônico — com foco em definição mandibular —, laser e peelings também figuram entre os mais solicitados. No campo cirúrgico, blefaroplastia e lipoaspiração são os procedimentos que mais crescem entre o público masculino.
A procura se concentra em duas faixas etárias distintas: homens entre 30 e 45 anos, voltados para prevenção e resultados discretos, e homens acima dos 45, que buscam intervenções mais estruturais de rejuvenescimento.
Por que os homens ainda demoram mais
Apesar do avanço, o especialista aponta que barreiras culturais ainda retardam a busca masculina por tratamentos estéticos. A principal delas é o estigma de que cuidados com a aparência pertencem ao universo feminino — o que leva muitos homens a procurar atendimento apenas quando o incômodo já está estabelecido, e não de forma preventiva. “Esse cenário está em transformação, especialmente entre as gerações mais jovens, que demonstram maior abertura e menor estigma em relação ao autocuidado”, observa Thiago.
Particularidades biológicas que exigem atenção
A pele masculina apresenta diferenças relevantes que impactam diretamente o planejamento dos procedimentos. Por ser mais espessa, mais oleosa e com maior densidade de colágeno, ela pode reagir de forma distinta aos tratamentos. A vascularização facial também varia em determinadas regiões, exigindo precisão técnica especialmente em procedimentos injetáveis.
Outro ponto de atenção é estético: homens geralmente priorizam resultados naturais e sem feminilização dos traços. “A individualização do tratamento é fundamental para segurança e eficácia”, reforça o biomédico.
Mercado em expansão contínua
Para Thiago Martins, a tendência é irreversível. A maior oferta de procedimentos minimamente invasivos, com recuperação rápida, a quebra progressiva de estigmas e a valorização do bem-estar global — que inclui saúde mental e autoestima — sustentam o crescimento do setor. No Brasil, país onde a imagem pessoal tem peso cultural relevante, a expectativa é de um público masculino cada vez mais criterioso e com demandas mais específicas.
