O médico infectologista Dr. Carlos Starling defendeu a segurança e a transparência do sistema vacinal brasileiro após a paralisação preventiva do imunizante contra a dengue no país. Em entrevista exclusiva ao Buenos Dias nesta terça-feira (9/6), o especialista explicou que a interrupção momentânea representa um protocolo padrão de monitoramento científico da chamada “fase 4” do desenvolvimento de remédios, que ocorre quando a aplicação atinge a massa da população.
“A postura correta, transparente e honesta do ponto de vista científico é essa mesmo: parar e estudar esses casos para que as pessoas fiquem mais seguras ao receberem esse imunizante, que é importantíssimo para nós. Não significa que a vacina seja ruim e nem nada disso. Pelo contrário: significa que a ciência está funcionando e que a vigilância epidemiológica para eventos diversos no país está funcionando”, disse Carlos Starling.
O médico relembrou o precedente histórico da vacina Rota Shield contra o rotavírus em 1999, que também sofreu interrupção por efeitos colaterais intestinais, foi aperfeiçoada e hoje salva milhares de crianças. Starling reforçou que a paralisação serve para a vigilância epidemiológica identificar precocemente os grupos de maior risco. O especialista calcula um prazo de 60 a 90 dias para a conclusão das análises detalhadas e projeta o retorno da campanha.
Entenda a suspensão da vacina
O Ministério da Saúde anunciou oficialmente a suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan (Butantan-DV) após identificar 42 casos de reações severas e dois óbitos. O lote de imunizantes estava em aplicação em profissionais da saúde e moradores de municípios selecionados, incluindo Belo Horizonte e Nova Lima. Os relatos de efeitos adversos sob investigação clínica incluem episódios de dor abdominal intensa, vômitos persistentes e duas mortes suspeitas.
“Nós não podemos esquecer a comparação dos riscos. Para quem desenvolve a infecção grave por dengue — a dengue hemorrágica —, uma em cada 25 pessoas morre, ou seja, são 4% de mortalidade pela doença. Para a vacina, neste momento, é um caso para 250.000 doses aplicadas. Matematicamente, não tem nem comparação o risco que a própria doença implica.”
Por fim, o infectologista listou os principais sinais de alerta que os cidadãos vacinados há menos de 21 dias devem monitorar em casa. Os pacientes que apresentarem febre alta, dores abdominais agudas, sangramentos espontâneos ou alteração no estado de consciência devem procurar imediatamente uma unidade de saúde. As autoridades do setor relembram que a incidência de complicações graves até o momento atinge a taxa ínfima de 0,008% do total de vacinados.
