Pacientes adultos com esclerose lateral amiotrófica (ELA) em estágios iniciais terão acesso a um novo tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde incorporou a edaravona à rede pública, conforme publicação da Portaria SCTIE/MS nº 40 no Diário Oficial da União nesta terça-feira (21/7).
O medicamento será indicado para pacientes classificados nos graus 1 ou 2 da doença, com início dos sintomas há até dois anos. A previsão é que a terapia esteja disponível no SUS em até 180 dias.
A edaravona poderá ser utilizada sozinha ou em combinação com o riluzol, tratamento já adotado para a ELA, conforme avaliação médica.
Medicamento pode retardar perda funcional
Segundo o parecer técnico-científico que fundamentou a decisão, a edaravona atua na redução do estresse oxidativo, processo associado à degeneração dos neurônios motores.
As análises da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) apontam que o medicamento pode desacelerar o declínio funcional dos pacientes e apresenta perfil de segurança considerado adequado. A terapia, no entanto, não representa uma cura para a doença.
O tratamento da ELA continua dependendo de acompanhamento multiprofissional, com participação de profissionais de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, nutrição e cuidados respiratórios.
Doença compromete movimentos e pode afetar respiração
A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos voluntários.
Com a evolução do quadro, a perda de força muscular pode comprometer ações como caminhar, segurar objetos, falar, engolir e respirar.
Os sintomas variam conforme a região do sistema nervoso afetada. Entre os sinais mais frequentes estão fraqueza muscular, atrofia, fasciculações, rigidez e espasticidade.
De acordo com o parecer técnico-científico, cerca de 70% dos casos começam com alterações nos membros, enquanto aproximadamente 25% apresentam inicialmente dificuldades relacionadas à fala e à deglutição.
A progressão da ELA pode atingir os músculos respiratórios. A insuficiência respiratória é apontada como a principal causa de morte associada à doença e costuma ocorrer entre três e cinco anos após o início dos sintomas.
Considerada uma doença rara, a ELA tem prevalência estimada de 1,2 caso para cada 100 mil habitantes no Brasil. Estudos indicam que o diagnóstico costuma ocorrer por volta dos 52 anos e que a doença é cerca de 1,5 vez mais frequente entre homens.
