PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Relaxante muscular por conta própria: por que esse hábito tão comum pode ser um perigo

Siga no

Tomar relaxante muscular sem orientação pode mascarar doenças e trazer riscos (foto: Magnific)

Compartilhar matéria

Sentiu aquela fisgada nas costas ou no pescoço e já foi direto na caixinha de relaxante muscular que sobrou da última vez? Se a resposta é sim, você tem companhia de sobra e talvez esteja correndo mais risco do que imagina. Para entender onde mora o perigo, conversamos com Daniel Oliveira, médico ortopedista especialista em coluna vertebral e sócio do NOT – Núcleo de Ortopedia e Traumatologia de Belo Horizonte. A explicação dele é direta: o relaxante pode até aliviar, mas quase nunca resolve.

Por que tomar por conta própria é arriscado

A lógica parece inofensiva: dói, toma, alivia. Só que o alívio pode ser justamente o que atrapalha. A dor nas costas ou no pescoço não tem uma causa só: vai de uma sobrecarga muscular boba a coisas que exigem investigação, como hérnia de disco, fraturas, infecções ou doenças inflamatórias. Ao silenciar o sintoma, o remédio pode esconder algo importante.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

“Embora o medicamento possa aliviar temporariamente os sintomas, ele não trata a causa da dor e ainda pode mascarar sinais importantes, atrasando o diagnóstico correto”, explica Daniel Oliveira.

Some a isso um detalhe que quase ninguém considera: boa parte das dores musculoesqueléticas melhora sozinha, em poucos dias, com medidas simples. Ou seja, a automedicação repetida acaba adiando uma avaliação que resolveria o problema mais rápido.

Os efeitos colaterais (e a mistura perigosa)

Relaxante muscular não é bala. Ele age no sistema nervoso central e vem acompanhado de um combo de efeitos que aumentam o risco de acidente, principalmente ao dirigir ou operar máquinas:

  • Sonolência
  • Tontura
  • Reflexos mais lentos
  • Dificuldade de concentração
  • Sensação de fraqueza

E o cenário fica bem mais delicado quando o remédio encontra a companhia errada.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

“O perigo é ainda maior quando o relaxante muscular é associado ao álcool ou a medicamentos que também deprimem o sistema nervoso central, como opioides, ansiolíticos e alguns antidepressivos”, alerta o médico.

Nessas combinações, a sedação é potencializada, e crescem os riscos de quedas, confusão mental e, em casos graves, depressão respiratória. Entre os idosos, o cuidado precisa ser ainda maior, porque todos esses efeitos pesam mais.

Quando o remédio é, de fato, indicado

Existe o momento certo. O relaxante costuma ser indicado por períodos curtos, quando há um espasmo muscular doloroso — como em algumas crises agudas de lombalgia ou de dor no pescoço de origem mecânica. A ideia é soltar a contração involuntária do músculo enquanto outras medidas fazem efeito. O ponto-chave é entender o que ele não faz: corrigir a origem do problema.

“Se a dor estiver relacionada a alterações da coluna, como hérnia de disco, artrose, instabilidade, alterações biomecânicas ou inflamações específicas, o medicamento apenas reduz temporariamente os sintomas”, esclarece o especialista.

O que resolve de verdade depende de diagnóstico correto e costuma envolver fisioterapia, fortalecimento, correção de fatores biomecânicos e, em situações específicas, procedimentos ou cirurgia — sempre mantendo as atividades dentro do tolerável. E vale a regra de ouro: relaxante não é para uso prolongado.

Dor pós-treino: ajuda ou atrapalha?

Aqui mora uma confusão clássica de quem treina. Aquela dor que aparece um ou dois dias depois do exercício, leva muita gente ao relaxante. Só que ela faz parte do processo normal de adaptação do corpo e, por não ser causada por espasmo, não responde ao remédio.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

“Nessa situação, o relaxante muscular costuma oferecer pouco ou nenhum benefício, porque essa dor não é causada por espasmo muscular”, explica Daniel.

Pior: os efeitos colaterais podem sabotar o próprio treino seguinte. O que realmente acelera a recuperação é bem mais simples:

  • Hidratação adequada
  • Alimentação equilibrada
  • Sono de qualidade
  • Recuperação ativa
  • Aumento gradual da carga de exercícios

Fique de olho, porém, se a dor for muito intensa, durar vários dias ou vier com fraqueza importante, inchaço significativo ou urina escura: nesse caso, é hora de procurar um médico.

Quando a dor vira sinal de alerta

Uma dor comum tende a melhorar aos poucos. O problema é quando ela insiste, incomoda demais ou muda de figura. Vale ligar o alerta e buscar avaliação médica quando a dor é muito intensa, não melhora, limita bastante os movimentos ou volta com frequência — e, principalmente, quando vem acompanhada de:

  • Febre
  • Perda de força
  • Formigamento ou dormência
  • Alterações no controle urinário ou intestinal
  • Perda de peso sem explicação
  • Dor após um trauma importante
  • Dor que acorda a pessoa repetidamente durante a noite

São sinais que podem indicar condições específicas, e é justamente aí que a automedicação cobra caro, atrasando o diagnóstico.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O que fazer antes de partir para o remédio

Antes da caixinha, vale olhar para os hábitos — na maioria das vezes, o que resolve não está na farmácia. Manter uma rotina de atividade física, fortalecer a musculatura, fazer pausas ao ficar muito tempo sentado, ajustar a ergonomia no trabalho e cuidar da postura costumam trazer resultados bem mais duradouros do que depender de comprimidos. Alongamento pode entrar na conta, mas com ressalva: funciona melhor dentro de um programa individualizado, e não como solução isolada. E, quando a dor persiste ou atrapalha o dia a dia, a avaliação de um médico — e, muitas vezes, de um fisioterapeuta — é o caminho.

A frase que resume tudo vem do próprio especialista:

“O mais importante é entender que o medicamento pode aliviar temporariamente o sintoma, mas dificilmente resolverá o problema quando utilizado de forma isolada.”

Compartilhar matéria

Siga no

Carol Ferraris

Jornalista, pós graduada em produção de jornalismo digital pela PUC Minas. Produtora multimídia de entretenimento na Rádio 98, com passagens pelo Estado de Minas e TV Alterosa.

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de Saúde

Poliomielite: como será o novo esquema vacinal contra a doença?

Vacina contra HPV também protege homens e pode trazer benefícios mesmo após o início da vida sexual

Julho Verde: câncer de cabeça e pescoço ainda é diagnosticado tardiamente no Brasil

Vitamina D, própolis e zinco podem ajudar a fortalecer a imunidade no inverno

Café, sushi e queijo na gravidez: o que pode e o que evitar

Minas Gerais terá 115 vagas para médicos especialistas em novo edital do Governo Federal

Últimas notícias

Morre o ator mineiro João Signorelli, de ‘Caminho das Índias’ e ‘Salve Jorge’, aos 69 anos

Sem titular, Artur Jorge fará mudanças para Cruzeiro x Internacional; veja provável escalação

STJ marca julgamento de ministro Marco Buzzi, acusado de importunação sexual

Artilharias, recordes e ‘muito orgulho’: Kaio Jorge completa 2 anos de Cruzeiro

BH abre inscrições para 2,8 mil vagas em cursos de arte gratuitos

Flávio Roscoe e a candidatura que ainda está em movimento

PL retira indígena Silvia Waiãpi da disputa à Câmara por considerar ex-deputada inelegível

BR-040 tem obras de manutenção até agosto e concessionária prepara duplicação em Congonhas

França bane redes sociais e celulares em escolas para menores de 15 anos a partir de setembro