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Ser otimista pode reduzir em 15% o risco de demência, revela estudo

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(foto: Freepik)

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E se uma das formas mais eficazes de proteger o cérebro fosse simplesmente mudar a forma de enxergar a vida? Uma pesquisa publicada no Journal of the American Geriatrics Society aponta que sim: pessoas com níveis mais altos de otimismo têm risco significativamente menor de desenvolver demência ao longo do tempo.

O estudo acompanhou mais de 9 mil adultos durante 14 anos e concluiu que cada aumento no nível de otimismo reduzia em 15% a chance de desenvolver a doença. Para a médica geriatra Simone de Paula Pessoa Lima, especialista em home care pela empresa mineira Saúde no Lar, o resultado reforça o que ela observa diariamente na prática clínica.

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“O estudo traz uma contribuição importante ao demonstrar, com acompanhamento longitudinal robusto, que o otimismo está associado a menor risco de demência. Isso amplia a compreensão dos fatores modificáveis relacionados à saúde cognitiva, indo além dos tradicionais, como o controle de doenças cardiovasculares, e incluindo aspectos psicológicos positivos”, afirmou a médica, em entrevista exclusiva à Rede 98.

Por que o otimismo protege o cérebro?

A explicação é mais profunda do que parece. Segundo a doutora Simone, pacientes com postura mais otimista tendem a aderir melhor a tratamentos, manter maior engajamento social, praticar mais atividades físicas e cognitivas e apresentar menor prevalência de sintomas depressivos — todos fatores já reconhecidos como protetores contra o declínio cognitivo.

Há ainda uma conexão direta com o Ikigai — o conceito japonês que representa o propósito de vida — e com os hábitos das chamadas Blue Zones, regiões do mundo onde as pessoas vivem mais e com mais saúde.

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“O otimismo muitas vezes caminha junto com o senso de propósito, que é um dos pilares mais fortes das Blue Zones e da prevenção de declínio cognitivo. Também favorece a mobilidade: o idoso otimista acredita que o exercício vai trazer resultados e, por isso, mantém a massa muscular, o que por sua vez protege o cérebro pelo eixo músculo-cérebro”, explicou a geriatra.

No polo oposto, o pessimismo crônico age de forma silenciosa e nociva. “O estresse e o pessimismo mantêm o corpo em um estado de alerta constante, com cortisol alto, o que é tóxico para os neurônios do hipocampo”, alertou.

Ser otimista é algo que se aprende?

Boa notícia: sim. Embora o otimismo tenha componentes de personalidade, há evidências de que ele pode ser desenvolvido mesmo na terceira idade. A doutora Simone lista estratégias práticas que podem ser incorporadas à rotina do idoso:

  • Reestruturação cognitiva: identificar e questionar pensamentos negativos automáticos
  • Diário de gratidão: registrar diariamente situações e pessoas pelas quais se é grato
  • Metas realistas e significativas: definir pequenos objetivos que gerem satisfação
  • Convivência social: participar de grupos, rodas de conversa e atividades coletivas

“Intervenções baseadas em psicologia positiva e terapia cognitivo-comportamental mostram benefícios nesse sentido. Essas estratégias devem ser adaptadas à realidade funcional e cognitiva de cada idoso”, recomendou a especialista.

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O que mais protege contra a demência?

Além do otimismo, a médica destaca que a prevenção da demência é multifatorial. Entre os principais pilares, ela cita vínculos sociais ativos, atividade física regular, estímulo cognitivo contínuo — como leitura, jogos e aprendizado de novas habilidades —, sono de qualidade e controle de condições como hipertensão, diabetes e colesterol elevado.

“A saúde mental positiva — que inclui bem-estar, propósito de vida e satisfação — atua como facilitadora da adesão a esses hábitos e reduz a carga inflamatória e o estresse crônico, mecanismos diretamente implicados no desenvolvimento da demência”, disse.

Quando buscar ajuda profissional?

A doutora Simone faz um alerta importante para familiares de idosos que convivem com pessimismo crônico ou isolamento social: esses sinais não devem ser encarados como parte normal do envelhecimento.

“Eles podem representar sinais precoces de condições tratáveis, como depressão ou até fases iniciais de comprometimento cognitivo. A intervenção precoce permite diagnóstico adequado, tratamento direcionado e, muitas vezes, reversão parcial ou total do quadro”, orientou.

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A recomendação é que familiares fiquem atentos a mudanças de comportamento, perda de interesse por atividades antes prazerosas, retraimento social ou alterações de humor. Diante de sinais persistentes, a avaliação profissional é o caminho.

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Carol Ferraris

Jornalista, pós graduada em produção de jornalismo digital pela PUC Minas. Produtora multimídia de entretenimento na Rádio 98, com passagens pelo Estado de Minas e TV Alterosa.

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