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Trânsito barulhento pode aumentar risco de Parkinson, aponta estudo

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Larissa Reis

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Os pesquisadores analisaram dados de 3,1 milhões de moradores com mais de 40 anos entre 2000 e 2017 (Agência Brasil)

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O barulho constante do trânsito pode fazer mais do que incomodar. Um estudo publicado na revista científica JAMA Neurology sugere que a exposição prolongada ao ruído de veículos está associada a um maior risco de desenvolver a doença de Parkinson. A pesquisa acompanhou mais de 3 milhões de pessoas na Dinamarca ao longo de 17 anos.

Os pesquisadores analisaram dados de 3,1 milhões de moradores com mais de 40 anos entre 2000 e 2017. Durante esse período, pouco mais de 20,5 mil participantes receberam diagnóstico de Parkinson. A conclusão foi que pessoas expostas por muitos anos a níveis mais altos de barulho do trânsito apresentaram um risco maior de desenvolver a doença.

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Além disso, o estudo identificou um fator que pode amenizar esse impacto: morar em um imóvel que tenha um lado mais silencioso, voltado para uma rua menos movimentada ou para uma área interna. Segundo os pesquisadores, essa “fachada silenciosa” parece reduzir os efeitos negativos da exposição ao ruído.

Para chegar aos resultados, os cientistas reconstruíram o histórico de endereços dos participantes desde 1990 e calcularam a exposição ao barulho do trânsito nos últimos dez anos antes do acompanhamento. Eles também levaram em conta fatores que poderiam interferir nos resultados, como poluição do ar, renda, escolaridade, áreas verdes, tabagismo e prática de atividade física.

O que é a doença de Parkinson?

O Parkinson é uma doença neurológica que afeta principalmente os movimentos do corpo. Os sintomas mais conhecidos são tremores, rigidez muscular, lentidão para se movimentar e dificuldades de equilíbrio. A doença costuma aparecer com mais frequência após os 60 anos, embora também possa atingir pessoas mais jovens.

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As causas ainda não são totalmente conhecidas. Especialistas acreditam que o desenvolvimento da doença envolve uma combinação de fatores genéticos e ambientais.

O que os pesquisadores descobriram?

Os resultados mostraram que, quanto maior a exposição ao ruído do trânsito por longos períodos, maior foi o risco de Parkinson. Embora o aumento do risco individual tenha sido considerado pequeno, os autores destacam que ele pode ter impacto importante na saúde pública, já que milhões de pessoas vivem diariamente expostas ao barulho do tráfego.

Outro achado importante foi que pessoas que moravam em residências com uma diferença de pelo menos 10 decibéis entre o lado mais barulhento e o mais silencioso da casa apresentaram um risco menor da doença. Isso sugere que ter ambientes mais tranquilos para descansar, especialmente durante a noite, pode ajudar a reduzir os efeitos do excesso de ruído.

O que explica essa relação?

Os pesquisadores afirmam que ainda não é possível dizer exatamente como o barulho contribui para o desenvolvimento do Parkinson. No entanto, estudos anteriores indicam que a exposição contínua ao ruído pode provocar estresse crônico, alterar o sono e aumentar processos inflamatórios no organismo, fatores que já foram associados a doenças neurodegenerativas.

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Apesar da associação encontrada, o estudo não prova que o barulho do trânsito causa diretamente o Parkinson. Ainda assim, os autores afirmam que os resultados reforçam a importância de políticas urbanas voltadas para a redução da poluição sonora e para a criação de moradias com áreas mais silenciosas, o que pode trazer benefícios para a saúde da população.

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Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG e repórter da Rede 98 desde 2024. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2022 (2º lugar) e em 2024 (1º lugar).

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