Morreu nesta sexta-feira (17/4), aos 68 anos, Oscar Schmidt, um dos maiores jogadores de basquete da história do Brasil. O eterno ‘Mão Santa’ havia sido internado em São Paulo após passar mal, a informação foi confirmada pela família, que não foi confirmada pela família.
Ídolo absoluto da modalidade, Oscar foi diagnosticado com um câncer no cérebro em 2011. Após duas cirurgias, quimioterapia e radioterapia, anunciou, em 2022, que havia se curado. Na última semana, o ex-atleta foi homenageado no Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil, mas não esteve presente na cerimônia pois se recuperava de uma cirurgia recente e foi representado por seu filho Felipe Schmidt.
Ídolo do Brasil no basquete, Oscar Schmidt é considerado um dos maiores atletas da modalidade, muito além do solo brasileiro. Ao longo da carreira, acumulou conquistas marcantes: foi campeão mundial interclubes com o Sírio em 1979, medalhista de bronze no Mundial de 1978 com a Seleção Brasileira e campeão sul-americano; protagonizou a histórica vitória sobre os Estados Unidos nos Jogos Pan-Americanos de 1987; tornou-se o maior cestinha da história das Olimpíadas, com 1.093 pontos em cinco edições, sendo também o principal pontuador em diferentes Jogos; conquistou um título brasileiro com o Corinthians em 1996; e encerrou a carreira como o maior cestinha da história do basquete mundial, com 49.737 pontos, superando Kareem Abdul-Jabbar.
Leia a nota da família de Oscar Schmidt
É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo.
Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida.
Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo.
A despedida se dará de forma reservada, restrita aos familiares, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento.
Os familiares agradecem, sensibilizados, todas as manifestações de carinho, respeito e solidariedade recebidas, e solicitam a compreensão de todos quanto à necessidade de privacidade neste momento de luto.
Seu legado permanecerá vivo na memória coletiva e na história do esporte, assim como no coração de todos que foram tocados por sua trajetória.
Atenciosamente,
Equipe 14 Eventos
Relembre vida e carreira de Oscar Schmidt
Um dos maiores nomes da história do basquete, Oscar Schmidt construiu uma trajetória de ídolo na modalidade.
Nascido em 16 de fevereiro de 1958, em Natal, Oscar Daniel Bezerra Schmidt cresceu em uma família ligada ao esporte. Seu pai era militar e incentivava a prática esportiva. Curiosamente, o primeiro interesse não foi o basquete, mas o futebol. A mudança para Brasília, porém, mudaria seu destino. Foi ali, ainda adolescente, que passou a se dedicar à bola laranja, incentivado pelo técnico Zezão, no colégio Salesiano. Pouco depois, ingressou no Clube Unidade Vizinhança, onde deu os primeiros passos no esporte.
Aos 16 anos, mudou-se para São Paulo para atuar nas categorias de base do Palmeiras. O destaque veio rapidamente: em 1977, foi eleito o melhor pivô do Sul-Americano juvenil, o que abriu as portas da seleção principal. Já em 1978, ajudou o Brasil a conquistar o título sul-americano e a medalha de bronze no Mundial das Filipinas.
O desempenho chamou a atenção do técnico Cláudio Mortari, que o levou ao Sírio. Foi ali que Oscar conquistou, em 1979, um dos títulos mais importantes da carreira: a Copa William Jones, considerada o mundial interclubes da época. No ano seguinte, disputou sua primeira Olimpíada, em Moscou, terminando como um dos destaques da competição, com 169 pontos e ajudando o Brasil ao quinto lugar.
Sucesso no Brasil e em torneios internacionais
O bom desempenho no Brasil e nos Jogos Olímpicos abriu portas no exterior. Em 1982, após breve passagem pelo América do Rio, foi contratado pelo Juvecaserta, da Itália, a convite do técnico Bogdan Tanjevic. O país europeu se tornaria palco de uma das fases mais produtivas de sua carreira: foram 11 temporadas, oito pelo Juvecaserta e três pelo Pavia, e quase 14 mil pontos anotados. Oscar tornou-se o primeiro jogador a ultrapassar a marca de 10 mil pontos no Campeonato Italiano, além de protagonizar atuações memoráveis, como um jogo de 66 pontos.
Após quatro Olimpíadas, transferiu-se para o basquete espanhol, defendendo o Fórum Valladolid entre 1993 e 1995. Também na Europa, seguiu encantando torcedores e especialistas, consolidando sua reputação como um dos maiores cestinhas da história.
Seleção brasileira
Apesar da carreira internacional, a relação com a Seleção Brasileira sempre ocupou papel central. Em 1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, voltou a marcar 169 pontos e chamou a atenção da NBA. O New Jersey Nets chegou a tentar sua contratação, mas Oscar recusou a proposta para manter o status de amador e continuar defendendo o Brasil, uma decisão rara que marcou sua trajetória.
Três anos depois, essa escolha ganharia contornos históricos. Nos Jogos Pan-Americanos de 1987, liderou a seleção brasileira em uma vitória emblemática sobre os Estados Unidos, em pleno território adversário, um dos maiores feitos do basquete nacional.
Nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, teve uma das atuações mais impressionantes da história do torneio: foi o cestinha com 338 pontos e quebrou diversos recordes, incluindo maior pontuação em uma única edição e em uma única partida (55 pontos). Ao longo da carreira olímpica, disputou cinco edições e acumulou 1.093 pontos, tornando-se o maior cestinha da história dos Jogos.
De volta ao Brasil em 1995, defendeu o Corinthians, conquistando mais um título nacional em 1996. Naquele mesmo ano, disputou sua quinta e última Olimpíada, em Atlanta, igualando o recorde de participações olímpicas no basquete.
Anos de final da carreira
Nos anos finais de carreira, ainda passou por clubes como Banco Bandeirantes, Mackenzie e Flamengo. Foi justamente pelo time carioca que atingiu um dos marcos mais impressionantes do esporte: tornou-se o maior cestinha da história do basquete mundial, com 49.737 pontos, superando Kareem Abdul-Jabbar.
Oscar Schmidt encerrou a carreira em 2003, deixando um legado que ultrapassa números. Ícone do esporte brasileiro, ficou conhecido não apenas pela capacidade de pontuar, mas também pela fidelidade à seleção e pelo papel decisivo em momentos históricos do basquete mundial.