O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta terça-feira (2/6) que a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master teria motivação eleitoral. A declaração foi feita em meio à pressão de parlamentares da oposição e da base governista para que seja realizada a leitura do requerimento que permitiria a instalação da comissão.
Segundo Alcolumbre, os órgãos responsáveis pela fiscalização e investigação já atuam no caso e não há necessidade de uma nova frente de apuração no Congresso neste momento.
“A Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Justiça brasileira, está todo mundo investigando isso. Não sei quem é o culpado. Se é o Banco Central do Brasil, se são as pessoas que fizeram errado, se é a Comissão de Valores Mobiliários, mas está todo mundo investigando isso. Querem abrir mais uma CPMI para fazer palanque eleitoral”, afirmou.
A possível CPMI tem como foco as suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, preso desde março pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.
Alcolumbre também criticou as cobranças recebidas durante uma sessão recente do Congresso Nacional. Segundo ele, o encontro havia sido convocado para analisar medidas de interesse dos municípios, mas acabou sendo marcado pela pressão em torno da comissão de inquérito.
“Eu passei quatro horas sendo ofendido por todos os congressistas que falaram da CPMI. E eu fiz aquela sessão do Congresso para ajudar 5 mil prefeitos. Todo mundo só no Davi que não leu o requerimento da CPMI do Banco Master para passar o Brasil a limpo. Não é para passar o Brasil a limpo. É para fazer campanha eleitoral”, declarou.
O presidente do Congresso voltou a defender que a leitura do requerimento depende de decisão da presidência da Casa. Na última sessão conjunta de deputados e senadores, ele se recusou a realizar o procedimento, argumentando que a definição do momento para leitura é uma prerrogativa do comando do Congresso.
Pedidos seguem sem andamento
Atualmente, há ao menos cinco requerimentos protocolados para investigar o caso. São três pedidos de CPI no Senado, um na Câmara dos Deputados e um requerimento para criação de uma CPMI, composta por parlamentares das duas Casas.
Além da movimentação no Congresso, parlamentares acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar garantir a instalação da comissão. Uma eventual decisão da Corte poderia obrigar o Legislativo a criar o colegiado, como ocorreu durante a CPI da Covid.
