O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (03/6) que participará da cúpula do G7, marcada para ocorrer entre os dias 15 e 17 de junho, em Évian-les-Bains, na França. Segundo o presidente, a decisão foi tomada diante do cenário internacional e das recentes medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos contra o Brasil.
“Eu nem ia no G7, mas agora eu vou. É preciso alguém colocar ordem na casa e dar um paradeiro nesse desmonte do multilateralismo”, declarou Lula durante reunião ministerial no Palácio do Planalto.
A fala ocorre dois dias após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e um dia depois de outro documento do órgão sugerir tarifas adicionais entre 10% e 12,5% sobre mercadorias de países que, na avaliação norte-americana, falharam em combater o comércio de produtos ligados ao trabalho forçado.
Lula critica postura dos Estados Unidos
Durante a reunião, Lula afirmou que o Brasil não pode aceitar o tratamento recebido dos Estados Unidos nos últimos dias e defendeu o fortalecimento do multilateralismo.
“O que é importante vocês saberem é que estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira, e até parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país. A nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo. A nossa luta para que esse país não seja tratado em nenhum momento como uma republiqueta insignificante. Nós somos muito grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil essa semana”, afirmou.
Presidente pede alinhamento na comunicação do governo
Lula também aproveitou a reunião ministerial para orientar integrantes do governo sobre a comunicação em torno das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos.
O presidente voltou a criticar pessoas que, segundo ele, estariam atuando contra os interesses do país em meio à disputa comercial.
“Vocês não podem deixar de dizer isso: estão tentando trair o Brasil por interesses mesquinhos, com interesses rasteiros de uma disputa eleitoral. Não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria, alguém que é capaz de vender o próprio país por interesse mesquinho”, disse.
Governo se prepara para restrições eleitorais
Durante o encontro, Lula também alertou os ministros sobre a proximidade do período de restrições previstas pela legislação eleitoral.
Segundo o presidente, o governo tem até o início de julho para concluir entregas e formalizar ações que possam ser afetadas pelas limitações impostas durante o período eleitoral.
“Temos até dia três de julho para fazermos todas as entregas que temos que fazer, porque depois do dia três de julho não podemos mais fazer convênios com prefeituras, com governos dos estados ou inaugurar obras”, afirmou.
Lula ainda pediu que inaugurações e agendas de entrega de obras sejam coordenadas pela Casa Civil para garantir a presença de representantes do governo federal nos eventos.