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Rota Vale dos Tropeiros: para sentir com as pernas, olhos e coração

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Diversas cidades mineiras têm suas histórias costuradas por essas antigas rotas de tropeiros (Foto: Reprodução / Rota Vale dos Tropeiros)

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Olá pessoal, hoje eu quero levar vocês comigo para uma cicloviagem que tem história, natureza, sabor e claro, muita pedalada. A rota de cicloturismo “Vales dos Tropeiros”, no Vale do Aço, é daquelas experiências que ficam na memória. E ela tem um detalhe que facilita demais a vida do cicloturista. É uma rota circular.

Isso significa que você pode ir de carro até Timoteo, estacionar com tranquilidade em um dos parceiros e iniciar dali um circuito completo, retornando ao mesmo ponto ao final. Para entender o encanto dessa rota, a gente precisa imaginar o passado.

Os tropeiros, lá no século XVIII e XIX, cruzavam Minas conduzindo mulas carregadas de mercadorias. Levavam sal, alimentos, ferramentas, mas levavam também notícias, costumes e modos de viver.

Foram eles que abriram muitos dos caminhos que hoje a gente percorre de bike. É impressionante pensar que Timóteo, Marliéria, Dionísio, São Domingos do Prata, Antônio Dias e Jaguaraçu, todas essas cidades têm suas histórias costuradas por essas antigas rotas de tropeiros.

Um dos trechos passa pelo Parque Estadual do Rio Doce, a maior floresta tropical de Minas. A sensação é de atravessar um corredor do tempo. Estradas de chão, Mata Atlântica, silêncio.

Pedalar ao lado daquele verde é quase um ritual, respiração, calma, conexão. São 210 km de percurso que atendem tanto os cicloturistas iniciantes, quanto os cicloaventureiros experientes.

Uma mistura equilibrada de estradas de terra, cenários rurais, travessias de vale e trechos de contemplação. É uma rota que convida a pedalar no ritmo dos tropeiros, sem pressa, absorvendo cada detalhe. Por isso, o ideal é dedicar pelo menos cinco dias para percorrê-la.

Cinco dias de vivências profundas, de encontros e reencontros com o jeito mineiro de existir. O que mais me cativou foi como essa rota une de forma perfeita natureza, gastronomia e memória.

Você pedala sob a sombra da mata atlântica, pequenas vilas e nas paradas acolhedoras encontra queijo artesanal, café coado no pano, aquele docinho de leite que parece recarregar mais do que qualquer gel de carboidrato, mel da região, sorrisos, prosa boa e até cachaça para relaxar no final do trecho diário.

Cada quilômetro pedalado é uma conversa com passado, um respiro da natureza e uma celebração dos sabores autênticos de Minas.

A rota Vales dos Tropeiros é mais do que cicloturismo, é cultura, é memória, é a chance de reencontrar as raízes de Minas Gerais. Uma rota feita para sentir, com as pernas, com os olhos e com o coração.

Na próxima semana eu volto com a parte 2: como uma Rota Vales dos Tropeiros, é um vetor de desenvolvimento sustentável, gerando impactos positivos para o turismo regional, fortalecendo a economia criativa e fomentando o turismo de base comunitária. Você não vai querer perder.

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Gil Sotero

Gil Sotero, natural de Salvador, é jornalista especializado em cicloturismo, fotógrafo e produtor multiplataforma. Cicloativista engajado, atua como voluntário na rede Bike Anjo BH, é co-organizador do passeio Tweed Ride BH e desenvolve projetos que unem comunicação, arte e cultura da bicicleta

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