O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu nesta sexta-feira (25/9) que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, continuará à frente dos casos envolvendo o Banco Master que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). A permanência foi aprovada por unanimidade entre os nove integrantes que participaram da sessão, com placar de 9 a 0.
Em uma segunda votação, mais apertada, o colegiado decidiu não aprofundar as investigações sobre a relação de Gonet com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Por 5 votos a 4, os conselheiros determinaram o arquivamento do pedido de apuração preliminar contra o procurador-geral.
Gonet preside o Conselho Superior do MPF, mas não participou da análise por ser alvo da representação. Dos dez integrantes do colegiado, nove estiveram presentes.
O relator do caso, Francisco Sanseverino, votou pelo arquivamento e foi acompanhado por Celso de Albuquerque, Alexandre Camanho, Hindemburgo Chateaubriand e Nicolao Dino.
Em sentido contrário, Janice Ascari, Samantha Chantal, José Adônis e Ana Borges Santos defenderam que um subprocurador-geral da República fosse designado para aprofundar a análise sobre a conduta de Gonet.
Dados do celular de Vorcaro motivaram análise
A discussão no Conselho Superior ocorreu após a divulgação de relatórios produzidos pela Polícia Federal com informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro. O aparelho foi apreendido durante a Operação Compliance Zero.
Segundo o material, foram identificadas mensagens relacionadas a contatos entre Vorcaro e Gonet, principalmente por intermédio do advogado Ciro Soares. Entre os episódios citados está uma viagem a Londres, em abril de 2025. Os registros indicam que Vorcaro autorizou o pagamento de despesas de Pedro Gonet, filho do procurador-geral, durante a viagem.
Outro elemento é uma fotografia feita em Londres, em 2024, na qual Gonet e Vorcaro aparecem próximos durante uma confraternização. A divulgação da imagem provocou manifestações dentro do próprio Ministério Público.
Os relatórios também mencionam diálogos de abril de 2024 relacionados à eleição para a presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG). Nas mensagens, Ciro Soares afirmou a Vorcaro ter solicitado a atuação de Gonet para que Georges Seigneur desistisse da disputa. Três dias depois, Seigneur retirou a candidatura, e Jarbas Soares acabou eleito por aclamação.
Outro conjunto de mensagens, de outubro de 2025, mostra Vorcaro mencionando o procurador-geral ao pedir que um interlocutor reforçasse contatos com autoridades diante da possibilidade de medidas do Banco Central contra o Banco Master.
