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Álvaro Damião corta na carne para evitar o mal maior

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Prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (Foto: Rodrigo Clemente/PBH)

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O secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral, foi afastado do cargo e posteriormente exonerado pelo prefeito Álvaro Damião, após denúncias de desvio de recursos públicos na Bahia, estado de origem de Barral. 

Filiado ao União Brasil, mesmo partido de Damião, Bruno Barral veio para Belo Horizonte para fazer parte do secretariado de Fuad Noman em seu primeiro mandato, em uma composição feita pelo grupo que apoiava o então prefeito, com o União Brasil de ACM Neto. Foi essa composição que mais tarde permitiu que Álvaro Damião se tornasse candidato a vice-prefeito na chapa de Fuad.

Mas na gestão pública tem que ser assim. Lembro-me do então presidente da República, Itamar Franco, quando surgiram denúncias contra seu Ministro-Chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves. Itamar o afastou, exonerou, deixou que as investigações fossem concluídas e, depois de nada provado contra Hargreaves, o reconduziu ao seu posto. Cortar na carne para não permitir a gangrena.

Se existe a denúncia, não adianta passar pano, ficar fazendo composição. Tem que tomar a decisão, afastar, exonerar e, depois, se nada for comprovado e se o denunciado for eficiente na sua função, trazê-lo de volta.

Planalto faz evento eleitoreiro para comunicar nada e coisa alguma

Ontem, em evento realizado em Brasília, que contou com a convocação compulsória de servidores federais para compor a plateia, o governo Lula anunciou que quer “dar a volta por cima”. Uma volta por cima que custará 3 bilhões de reais em eventos e publicidade. Uma volta por cima que não tem nada para ser comemorado.

Foram exibidos até vídeos de pessoas felizes por terem sido atendidas pelo SUS, como se o SUS fosse uma realização deste mandato do presidente Lula. Um evento que foi feito para tentar apagar o fogo da impopularidade que, segundo a pesquisa Quaest, chega a mais de 60% em alguns setores da sociedade.

O evento teve problemas de som e de exibição de vídeos, um evento eleitoreiro visando a campanha de 2026. Onde está a justiça eleitoral que não entra em ação e não proíbe que o governo faça um evento com características claramente eleitoreiras?

Comemorar o quê em 2 anos e 3 meses de mandato do presidente Lula? O que de significativo foi apresentado pelo presidente Lula até agora? O reajuste da tabela do Imposto de Renda? Não, pois ainda terá que ser aprovado pelo Congresso Nacional e será recheado de emendas.

Que outro projeto? O Minha Casa, Minha Vida para a classe média? Classe média que está enroscada em dívidas e que sobrevive como o bêbado e a equilibrista.

É desse jeito que se pretende dizer que o governo realiza alguma coisa? O que foi feito até agora por este governo? Nada. Empréstimo consignado para quem tem CLT, endividando trabalhadores.

Esse governo não consegue andar. Muito por conta da perversão que é o presidencialismo de coalizão, a relação de toma lá, dá cá entre poder executivo e poder legislativo, mas muito pelo destempero do presidente Lula, que fala mais do que deve e fala sem conhecimento.

O presidente Lula, na pesquisa feita pela Quaest, tem 80% de reprovação quando o assunto é o que você pensa sobre as falas do presidente.

Com um ministro da economia que se equilibra entre a conversa com o mercado, um ente demonizado, mas que somos todos nós que compramos, vendemos, investimos, vivemos. Um ministro da economia que não consegue apresentar um plano sólido e seguro de transformação.

Mas não para por aí. Ainda seremos inundados com um sem-número de propagandas nas rádios, TVs e mídias sociais, para comemorar o que não foi feito e divulgar nada sobre coisa alguma. Tudo isso com o dinheiro do contribuinte, que está cansado de tanto pagar impostos.

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Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

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