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O jogo só termina quando acaba

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(Foto: Reprodução)

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Até aqui, a disputa pelo governo de Minas está aberta. Sim, o jogo só termina quando acaba em uma campanha. Mas neste ano essa máxima faz ainda mais sentido porque não consigo abandonar a sensação de que tudo está atrasado após todos os atropelos e indefinições do período pré-eleitoral. As campanhas ainda estão sendo apresentadas. As estratégias ainda estão sendo construídas. É como se tudo fosse embolar a partir do dia 28, com o início da campanha no rádio e TV, ainda muito relevantes. Sim, ela é. A internet e as redes ainda são realidade dos grandes centros, para o público mais favorecido e mais jovens.

Proponho analisarmos os dados da pesquisa Datafolha do fim da semana e voltarmos ao passado, que pode nos ensinar muito. O cenário apresentado pelo levantamento para dois candidatos me lembra muito outros dois da disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte em 2024. E não estou dizendo que o desfecho será o mesmo. De jeito nenhum, até porque, assim como temos semelhanças, temos muitas diferenças. É só uma reflexão.

É quase que como um senso comum que Cleitinho está com um pé na Cidade Administrativa. Mas não é bem assim. Ele é muito popular, é inegável. Aparece na frente, com 32% das intenções de voto na estimulada. Fora das redes, principalmente, ele tem tentado abandonar o personagem para se colocar como um candidato sério e preparado, citando contribuições de seu mandato de senador. Cirúrgicas (no sentido de que não há um cardápio amplo) e com um caráter populista, mas que pode dar certo. Ele cita IPVA, licenciamento, apreensão de carros. E eu falo populista porque, para as propostas não serem assim, precisam ter amparo na lei. E não apreender o carro, por exemplo, não é uma delas. Mas quem nunca atrasou uma conta? Ficou apertado e precisou renegociar ou mesmo pagar os juros? Toca onde a gente sente mesmo. A ideia é essa e cria identificação com o eleitor. Mas não dá para olhar apenas as intenções de voto dele.

Ele precisa não só sustentar esse percentual, mas ampliar sem deixar os outros crescerem. Para não acontecer com ele o que já vimos acontecer. João Leite sempre largou bem nas disputas ao Executivo, mas não conseguia crescer. Celso Russomanno, em SP, também. Mauro Tramonte foi a mesma coisa em 2024, quando disputou a prefeitura. Nessa mesma época, ele liderava com cerca de 30%. Era apresentador, deputado, popular, falava com o povo. Enfrentava Fuad, um prefeito sem jogo de cintura político e eleitoral. Era desconhecido, um técnico que lá para julho e agosto ainda não chegava aos 10% nas pesquisas. Foi crescendo, usou o horário eleitoral. Porque desconhecimento é mais fácil reverter que rejeição e desaprovação.

E isso me faz citar outro personagem: o governador Mateus Simões. Por mais que ele apareça com 4% — lembre-se, tudo veio com atraso nessa disputa —, tem se colocado para jogo. Não está derrotado. Agora, 41% aprovam e 32% desaprovam sua gestão.

Na mesma época, em 2024, Fuad também era um gestor herdando a cadeira meses antes, desconhecido. A aprovação do prefeito era de 20% e sua desaprovação superava os 40%. Ele foi construindo a história que queria contar. Até o suspensório, colocado com chacota pelos adversários, foi revertido a seu favor em uma propaganda eleitoral e campanha bem construídas. Venceu. Mateus vai ter o maior tempo de TV e rádio, 30% do total. E ainda está no jogo.

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Marina Schettini

Jornalista com passagens pelos jornais O Tempo e Super Notícia. Formada pelo Uni-BH com especialização em culturas midiáticas pela UFMG, tem a política como sua principal área de atuação.

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