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Polícia Militar de Minas Gerais, 250 anos: hora de reconhecer, hora de escutar

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Celebrar o aniversário da Polícia Militar não é apenas reconhecer sua história; é também fortalecer o diálogo sobre seu papel no presente e no futuro (Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG)

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Duzentos e cinquenta anos. Raras são as instituições brasileiras que atravessam dois séculos e meio. Criada em 1775, a Polícia Militar de Minas Gerais é hoje uma das mais antigas do Brasil. Presente nos 853 municípios do estado, a corporação mantém um efetivo de 43 mil homens e mulheres, responsáveis por ações que garantem a ordem, a vida e a preservação do patrimônio público.

Segundo os últimos dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o estado registrou uma das menores taxas de homicídio por 100 mil habitantes no Sudeste. Isso não acontece por mágica. É resultado de presença, de patrulha, de resposta e, sim, também de escuta.

A PM mineira atendeu a mais de 1,8 milhão de ocorrências no último ano. São casos de violência doméstica, roubos, salvamentos, apoio em enchentes e ajuda a comunidades vulneráveis.

Mas, além dos números, há a dimensão humana. Em muitas cidades mineiras, especialmente nas regiões mais carentes, a presença do policial militar é, muitas vezes, a face mais visível do Estado. É ele, ou ela, quem chega primeiro a um acidente, a uma briga familiar, a uma escola em conflito. Esse vínculo direto com a população constrói confiança e aproxima a segurança pública do cidadão comum. Vale sempre lembrar a importância da PM mineira na pandemia de Covid, quando foi fundamental para a distribuição e garantia da aplicação da vacina.

A necessidade de aprimorar sua atuação

Mas há outro lado que também precisa ser dito, justamente por amor à verdade e à democracia. São episódios de abuso, de violência excessiva, de desrespeito às garantias constitucionais. Casos que não podem ser tratados como desvios isolados, porque encontram eco em discursos autoritários que buscam transformar forças de segurança em milícias políticas.

Criticar não é atacar. Ponderar não é desmerecer. É exatamente porque a atuação da PMMG é fundamental que precisamos discutir a formação dos seus integrantes, seus protocolos, sua transparência e seu controle externo. São desafios legítimos.

A própria Ouvidoria de Polícia e o Ministério Público têm atuado para garantir a responsabilização quando necessário, e a Controladoria-Geral da PMMG publicou, no último ano, mais de 900 pareceres em processos administrativos disciplinares. Um sinal de que há mecanismos internos de controle em funcionamento.

Celebrar o aniversário da Polícia Militar não é apenas reconhecer sua história; é também fortalecer o diálogo sobre seu papel no presente e no futuro. Uma corporação respeitada precisa, também, ser permanentemente aberta à escuta da sociedade que serve. E isso não diminui sua autoridade; pelo contrário, a legitima ainda mais.

A PMMG tem raízes na história de Minas. Que seu aniversário seja também ocasião para celebrar e renovar compromissos com o profissionalismo, a legalidade e o respeito aos direitos de todos os mineiros.

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Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

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