PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

IOF mais alto: um remédio amargo para quem já está com febre

Siga no

IMAGEM ILUSTRATIVA (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Compartilhar matéria

O governo decidiu subir o Imposto sobre Operações Financeiras e, com isso, aplicou um daqueles remédios que ardem mais do que curam. A justificativa é o ajuste fiscal, mas, na prática, a medida pode fazer mais mal do que bem. Em vez de aliviar a febre da economia, jogam mais lenha na caldeira.

E não, ajuste fiscal não é sinônimo de aumentar imposto. A tal curva de Laffer, tão citada quanto ignorada, mostra que exagerar na arrecadação pode ter o efeito oposto: travar a economia, desestimular a produção e, no fim, arrecadar menos. O que se viu até agora? Aumento de tributos por todos os lados e um tímido congelamento de despesas que, quando acontece, logo volta atrás.

Mas vamos ao IOF. Esse imposto, que originalmente não tem vocação arrecadatória, foi usado como instrumento de contenção inflacionária, o que também causa estranheza. Afinal, combater a inflação é papel do Banco Central, não da Fazenda. O resultado? Confusão institucional e um novo pacote de incerteza no colo de quem empreende.

Com a Selic em 14,75%, o crédito já está pela hora da morte. A nova alíquota do IOF é o caixão, e sem vela. Um empréstimo de R$10 mil, que já vinha com quase R$190 de imposto, agora pode chegar a quase R$400. Para quem depende de crédito para manter o caixa respirando, isso não é política fiscal: é tortura tributária.

O desabafo do setor empresarial

Um empresário ouvido por essa coluna fez algumas observações sobre esse descalabro tributário, e aqui revelo um trecho da sua insatisfação, que reflete o sentimento do setor: “Ninguém está vivendo empresarialmente no Brasil. Está todo mundo sobrevivendo. Não se pensa em gerar riqueza, emprego ou desenvolvimento. O único plano de negócios é: pagar as contas e agradecer se sobrar alguma coisa.”

Além da carga tributária, somam-se novas pressões como a possível mudança da jornada 6×1 para 4×3, o aumento da energia elétrica e o endurecimento de normas trabalhistas. O país trata o pequeno empreendedor como se ele fosse dono da Vale ou da Petrobras. Só que o pequeno não tem blindagem, tem boleto.

A Receita, que deveria ser um órgão regulador e orientador, é percebida como um instrumento de punição. Isso afasta investimentos, paralisa decisões e acende a luz vermelha da insegurança jurídica. Empresário não é super-herói. Sem previsibilidade, ninguém assina cheque, ninguém contrata, ninguém investe.

E para completar essa comédia cada vez menos engraçada, o Congresso já articula um projeto para derrubar a medida. Ou seja, o que é ruim fica pior: nem certeza do imposto há. E incerteza, como diz o economista do IBMEC, Gustavo Andrade, e colunista da 98 News, é veneno puro para a economia.

A Micro e Pequena empresa mais penalizada

Enquanto isso, as grandes empresas driblam, se adaptam, transferem custos ou se financiam lá fora. Já os pequenos, que geram mais de 70% dos empregos formais no Brasil, segundo o Sebrae, ficam à mercê da maré.

Aumentar IOF agora é como aplicar freio de mão num carro já se engasgando. E quem vai no banco de trás, desse carro desgovernado chamado economia brasileira, sem cinto, continua sendo o pequeno empresário. Só que, dessa vez, com febre alta, e o remédio, além de amargo, parece vencido.

Compartilhar matéria

Siga no

Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de 98

O PL mineiro entre a prudência pública e a confusão dos bastidores

Adeus, Internet

18 de junho o dia do Químico: o profissional que transforma o invisível em progresso

5 destinos com águas termais no Brasil

Monte Verde, o melhor destino de inverno do Brasil

Quando a compra de um imóvel pode ser considerada fraude fiscal mesmo sem penhora registrada

Últimas notícias

Livro ‘Direito de Barragens’ debate avanços na segurança de barragens após tragédias em Mariana e Brumadinho

Dólar sobe a R$ 5,1874 com aversão ao risco e juros nos EUA no radar

Gana faz jogo duro e segura empate contra a Inglaterra na Copa do Mundo

Otávio, do Cruzeiro, entra na mira de clube da Inglaterra

TSE manda retirar publicações que associam Flávio Bolsonaro ao crime organizado

Bolsonaro presta depoimento sobre arma apreendida; Moraes decidirá sobre prisão domiciliar

Mick Jagger sugere que os Rolling Stones podem voltar à estrada em 2027 com nova turnê mundial

Deschamps é ausência na seleção francesa após morte da mãe

BH terá vacinação contra gripe no Mercado Distrital do Cruzeiro nesta quarta-feira