As publicações de Cleitinho Azevedo (Republicanos) criticando políticos bolsonaristas que pregaram o boicote a eleitores de Lula abriram um novo flanco de descontentamento entre parlamentares do PL e o governador eleito. Foram dois vídeos publicados no feed na última semana, que se somaram à insatisfação com o empenho dele na campanha por Flávio Bolsonaro e com o que chamam de “insistência” em pregar a pacificação e o fim dos privilégios dos políticos. A expectativa dos bombeiros da transição é que um encontro agendado para esta quinta-feira, para discutir a relação dele com parlamentares do PL, finalmente aconteça, após o cancelamento de uma primeira tentativa, na semana passada.
Só na Assembleia, o PL elegeu 21 dos 77 deputados estaduais, com quem Cleitinho terá de negociar. O partido elegeu o mesmo número de representantes na Câmara dos Deputados, onde a bancada é importante para defender os interesses dos mineiros em Brasília. Além disso, conta com um senador.
Os insatisfeitos alegam que Cleitinho vai começar a ter problemas com outros partidos se não abandonar as críticas aos políticos. Eles reclamam que o governador eleito incita a população a se unir contra a classe política para pressionar pelo fim de benefícios como apartamento funcional, carros oficiais, fundo partidário e plano de saúde vitalício. Outro problema é o questionamento dos valores cristãos daqueles que pregam o boicote a trabalhadores.
Já havia um incômodo desse grupo desde o segundo turno. Apesar de o PL abrigar Nikolas Ferreira, que coordenou a campanha de Flávio, seus integrantes colocam na conta de Cleitinho a virada de Lula no Estado. Reclamam que Cleitinho prejudicou o candidato ao dizer que negociaria com qualquer um dos dois que fosse eleito. Também o criticam por ter defendido com tanta efusividade o fim da escala 6×1, inclusive gravando um vídeo ao lado de Alcolumbre, presidente do Senado que trabalhou pela eleição de Lula.
As falas em defesa da pacificação no pós-eleição também incomodam os parlamentares que preferem manter o embate vivo. O abraço promovido por Cleitinho em pleno dia da votação é citado várias vezes. Assim como o argumento de que o governador eleito estaria usando o alcance de suas redes sociais e sua popularidade para trabalhar contra os parlamentares.
