Minas Gerais pode enfrentar um segundo semestre de 2026 marcado por temperaturas acima da média, períodos mais secos e aumento do risco de queimadas. O alerta aparece em uma nota técnica divulgada por órgãos federais de meteorologia e monitoramento climático, que apontam alta probabilidade de formação do fenômeno El Niño nos próximos meses.
Segundo o documento, elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), existe mais de 90% de chance de o El Niño permanecer ativo até o fim de 2026 e início de 2027.
Para Minas Gerais, os impactos podem incluir:
- calor mais intenso e prolongado;
- aumento de veranicos;
- períodos de estiagem;
- redução da umidade do ar;
- crescimento do risco de incêndios florestais.
A nota técnica cita explicitamente Minas entre os estados do Sudeste que podem registrar condições mais secas durante a primavera, principalmente entre setembro e dezembro.
Minas pode ter primavera mais quente e seca
O documento destaca que os efeitos do El Niño no Sudeste costumam variar, mas frequentemente provocam alterações na circulação atmosférica e dificultam a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), sistema responsável por grande parte das chuvas no Centro-Sul do Brasil durante a primavera e o verão.
Na prática, isso pode resultar em períodos prolongados sem chuva em parte do estado.
“Dependendo da intensidade do fenômeno e da atuação de outros sistemas atmosféricos, podem ocorrer episódios de estiagem e veranicos”, aponta a nota técnica.
Os efeitos tendem a ser mais sentidos em:
- Norte de Minas;
- Vale do Jequitinhonha;
- Noroeste mineiro;
- Triângulo Mineiro;
- cidades do interior com histórico de baixa umidade.
Temperaturas acima da média devem atingir Minas
Além da redução das chuvas, o documento prevê aumento das temperaturas médias em boa parte do Sudeste.
Segundo os órgãos técnicos, o El Niño favorece:
- bloqueio de frentes frias;
- permanência de massas de ar quente;
- ondas de calor mais frequentes;
- noites mais abafadas;
- sensação térmica elevada nas cidades.
Os efeitos devem ser mais perceptíveis entre a primavera e o verão.
Em Belo Horizonte, especialistas já monitoram a possibilidade de:
- baixa umidade antecipada;
- aumento de fumaça provocada por queimadas;
- piora da qualidade do ar;
- crescimento de doenças respiratórias.
Risco de queimadas preocupa autoridades
O avanço do calor e da seca também aumenta a preocupação com incêndios florestais em Minas Gerais.
A nota técnica associa diretamente o El Niño ao aumento do risco de fogo por causa da combinação entre:
- altas temperaturas;
- vegetação seca;
- redução da umidade relativa do ar;
- períodos mais longos sem chuva.
O cenário preocupa principalmente áreas de Cerrado e regiões rurais do estado.
Nos últimos anos, Minas registrou recordes de queimadas em municípios do Norte do estado, Serra do Cipó, Parque Estadual do Rio Doce e áreas próximas à Serra da Canastra.
A tendência é que o monitoramento seja intensificado pela Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Instituto Estadual de Florestas (IEF) ao longo do segundo semestre.
El Niño ainda não tem intensidade definida
Apesar da alta probabilidade de formação do fenômeno, os órgãos meteorológicos afirmam que ainda não é possível definir qual será a intensidade do El Niño em 2026.
Mesmo assim, os indicadores oceânicos e atmosféricos já mostram sinais consistentes de aquecimento no Oceano Pacífico Equatorial. O documento aponta que algumas áreas próximas à costa oeste da América do Sul registraram anomalias superiores a 3°C na temperatura da superfície do mar.
As águas subsuperficiais também apresentam aquecimento acima da média, considerado um dos principais sinais precursores do fenômeno.
O que é El Niño
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera padrões atmosféricos em diversas partes do planeta e pode provocar mudanças significativas nas chuvas e temperaturas no Brasil.
Historicamente, o fenômeno costuma provocar:
- mais chuva na Região Sul;
- menos chuva em partes do Norte e Nordeste;
- temperaturas acima da média em várias regiões do país.
Especialistas recomendam atenção
Os órgãos responsáveis pela nota técnica afirmam que o cenário exige acompanhamento contínuo das previsões climáticas nos próximos meses.
A recomendação é que produtores rurais, prefeituras, Defesa Civil e população acompanhem atualizações meteorológicas, principalmente durante os períodos de:
- baixa umidade;
- ondas de calor;
- risco de incêndios;
- tempestades isoladas.
