O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu o fim da escala 6×1 e rebateu críticas de empresários sobre uma possível queda na produtividade com a redução da jornada de trabalho. Em entrevista exclusiva à rádio 98 News, ele afirmou que “as pessoas acham que vão aumentar a produtividade fazendo o trabalhador trabalhar até a exaustão. Essa é uma lógica que não entra, não cabe”.
Durante a entrevista, Boulos reconheceu que o Brasil enfrenta um problema de baixa produtividade, mas afirmou que o desgaste excessivo dos trabalhadores agrava a situação. “Um trabalhador cansado, exausto, ele é muito menos produtivo, tem mais acidente de trabalho, tem mais afastamento do trabalho por burnout, por ansiedade, por depressão, por esgotamento”, declarou.
O ministro também relacionou o debate à saúde mental dos trabalhadores brasileiros. Segundo ele, “ano passado a gente bateu o recorde, quase meio milhão de afastamentos de trabalho por questões de saúde mental”. Para Boulos, a redução da jornada permitiria mais qualidade de vida e até mais qualificação profissional. “Você tem que aumentar a produtividade no Brasil, inclusive deixando tempo para o trabalhador poder se qualificar, para ele se formar, para ele ter uma capacitação maior”, disse.
Ao responder críticas de entidades empresariais e setores do comércio, Boulos afirmou que exemplos internacionais mostram o contrário do que dizem os críticos da proposta. “A redução da jornada de trabalho nos países em que ela ocorreu aumentou a produtividade”, afirmou, citando casos como Islândia, Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido.
Sobre a experiência islandesa, ele destacou que “a Islândia reduziu a jornada de trabalho, não foi nem para 5×2, que é o que nós estamos fazendo agora no Brasil, foi para 4×3. A produtividade aumentou 2,5%”.
Boulos ainda argumentou que a evolução tecnológica deveria refletir em mudanças nas relações de trabalho. “A última vez que o Brasil reduziu a jornada de trabalho faz quase 40 anos. Foi em 1988. Naquela época não tinha nem internet, hoje nós temos inteligência artificial. Então a tecnologia avançou, a produtividade cresceu e o trabalhador continua trabalhando ao mesmo tempo”, afirmou.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força no Congresso Nacional nos últimos meses. Propostas em análise defendem a redução da jornada semanal para 40 horas e a garantia de dois dias de descanso sem redução salarial. Boulos afirmou que o governo é contra prazos longos de transição e criticou propostas que sugerem implementação gradual em até dez anos.
