A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A decisão já foi comunicada aos advogados do investigado.
Apesar da negativa da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda pode analisar a proposta individualmente. A tentativa de colaboração vinha sendo negociada simultaneamente com a Polícia Federal e a PGR.
Até o momento, a Procuradoria não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo da proposta.
Primeira versão foi considerada insuficiente
No início deste mês, a defesa de Vorcaro finalizou os anexos da delação premiada e entregou o material às autoridades em um pen drive.
A primeira versão da proposta, apresentada em 5 de maio, foi considerada insuficiente por investigadores da PF e integrantes da PGR.
Segundo interlocutores ligados às apurações, o conteúdo não trouxe novidades relevantes em relação ao que já havia sido descoberto ao longo da Operação Compliance Zero, que levou à prisão do banqueiro.
Nos bastidores, advogados e integrantes da investigação avaliam que, diante do avanço das apurações e da sinalização de outros investigados de que também pretendem colaborar, Vorcaro precisava apresentar informações mais robustas, com maior detalhamento sobre crimes e envolvidos.
Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro aumentaram desgaste
Um dos episódios que aumentaram a insatisfação dos investigadores foi o envolvimento do senador Ciro Nogueira (PP-PI) com Vorcaro.
Segundo a investigação, o presidente nacional do PP teria recebido “vantagens indevidas” do ex-banqueiro, algo que não teria sido mencionado na proposta apresentada à PF e à PGR.
As apurações apontam que Ciro teria apresentado uma emenda para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. De acordo com investigadores, integrantes do Banco Master participaram da elaboração da proposta.
Outro fator que pesou contra Vorcaro foi a omissão sobre a relação com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo a reportagem, ao menos R$ 61 milhões já teriam sido transferidos.
Na terça-feira (19), Flávio admitiu ter se encontrado com Vorcaro em dezembro de 2025, quando o ex-banqueiro já estava em prisão domiciliar. O encontro e os pagamentos, porém, não teriam sido relatados por Vorcaro nas negociações de colaboração premiada.
Transferência para cela comum foi vista como sinal de desgaste
Na segunda-feira (18), Vorcaro foi transferido para uma cela comum dentro da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Nos bastidores, o movimento foi interpretado como mais um sinal do desgaste entre investigadores e a defesa do ex-banqueiro durante as negociações da delação.
Vorcaro está preso desde 4 de março por suspeita de envolvimento em fraudes financeiras investigadas pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
*Em atualização
