Milhares de cubanos participaram nesta sexta-feira (22) de uma manifestação em frente à embaixada dos Estados Unidos, em Havana, em protesto contra a acusação criminal apresentada pelo governo americano contra o ex-presidente de Cuba, Raúl Castro.
O ato pró-governo ocorreu na orla da capital cubana e contou com a presença do presidente Miguel Díaz-Canel, do primeiro-ministro Manuel Marrero e de familiares de Raúl Castro, entre eles Mariela Castro, Alejandro Castro e Raúl Rodríguez Castro, neto do ex-líder cubano.
EUA acusaram Raúl Castro por mortes de americanos
Na quarta-feira (20), os Estados Unidos tornaram pública uma acusação criminal contra Raúl Castro, de 94 anos.
Segundo o processo, o ex-presidente cubano é acusado de:
- Quatro homicídios;
- Dois crimes relacionados à destruição de aeronaves;
- Conspiração para matar cidadãos americanos.
Outras cinco pessoas também aparecem como rés na ação apresentada pela Justiça americana.
Em comunicado divulgado na quarta-feira, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos “não tolerarão um estado pária que abrigue operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis”.
Raúl Castro enviou mensagem aos manifestantes
Apesar de não comparecer ao ato, Raúl Castro enviou uma mensagem lida pelo parlamentar e ex-espião cubano Gerardo Hernández.
“Enquanto eu viver, permanecerei na vanguarda da Revolução, com um pé no estribo”, afirmou Castro na mensagem.
Governo cubano acusa EUA de tentar justificar agressão
Na quinta-feira (21), Miguel Díaz-Canel condenou as acusações americanas e afirmou que Cuba não aceitará ataques contra sua história e seus líderes.
Em publicação nas redes sociais, o presidente cubano disse que as acusações reforçaram o sentimento anti-imperialista no país.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, também criticou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, acusando Washington de fabricar argumentos para justificar uma possível agressão militar contra a ilha.
“O fortalecimento das medidas coercitivas unilaterais é o principal obstáculo ao desenvolvimento econômico de Cuba”, afirmou Rodríguez.
Tensões aumentaram após novas sanções americanas
As relações entre Estados Unidos e Cuba se deterioraram ainda mais nos últimos meses.
Após a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, o governo Trump passou a pressionar Havana por mudanças econômicas e políticas.
Washington ampliou sanções econômicas e comerciais contra a ilha, incluindo um embargo petrolífero que agravou a crise energética enfrentada pelo país.
Especialistas internacionais avaliam que o aumento da tensão elevou os temores sobre uma possível escalada militar envolvendo Cuba, principalmente após declarações recentes de Trump afirmando que “Cuba é a próxima”.
No se irrespeta a los héroes de la Patria, no se ofenden historia y tradiciones sin respuesta. No en #Cuba.
— Miguel Díaz-Canel Bermúdez (@DiazCanelB) May 21, 2026
Nuestro pueblo ha saltado con fiereza por encima de las dificultades y carencias cotidianas, provocadas en primer lugar por el #BloqueoGenocida, para responder a la… pic.twitter.com/L6EZwo5BZZ