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Dia Mundial Sem Tabaco: o que muda no seu pulmão quando você para de fumar

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Dia Mundial Sem Tabaco: o que muda no pulmão ao parar (foto: pixabay)

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Você já parou para pensar no que acontece dentro do seu corpo no minuto seguinte em que apaga o último cigarro? A resposta é mais animadora do que a maioria imagina: a recuperação do pulmão começa quase imediatamente. É justamente essa mensagem — a de que largar o cigarro vale a pena em qualquer idade — que o Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, tenta espalhar.

Para entender por que a data ainda é tão necessária e o que a ciência realmente diz sobre parar de fumar, conversamos com a médica pneumologista Michele Andreata, da Saúde no Lar.

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Por que o Dia Mundial Sem Tabaco ainda importa em 2026?

Criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1987, a data é uma das principais campanhas de conscientização em saúde pública do planeta — e segue urgente. O cigarro continua entre as maiores causas evitáveis de adoecimento e morte no mundo, ligado a doenças respiratórias, cardiovasculares e a diversos tipos de câncer.

Para 2026, a OMS definiu o tema “Desmascarando o apelo: combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, voltado a expor as táticas da indústria para atrair crianças e adolescentes com produtos como os cigarros eletrônicos. Dados da própria organização mostram a dimensão do problema: ao menos 40 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos já usam algum produto de tabaco no mundo.

“É uma das principais datas de conscientização em saúde pública porque chama a atenção para os impactos do tabagismo e reforça a importância da prevenção”, afirma a pneumologista Michele Andreata. Segundo ela, a data também cumpre um papel educativo decisivo, “especialmente dos jovens, alertando sobre os riscos dos produtos derivados do tabaco e da nicotina, incluindo os cigarros eletrônicos”.

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O pulmão começa a se recuperar quase imediatamente

A recuperação começa praticamente no instante em que o cigarro é interrompido, mas de forma gradual. “Nas primeiras semanas, muitas pessoas já percebem melhora da tosse, do cansaço e da falta de ar”, explica Michele Andreata.

Com alguns meses sem fumar, acontece uma recuperação importante dos cílios que revestem as vias respiratórias — as estruturas microscópicas responsáveis por eliminar secreções e impurezas dos pulmões. Ao longo dos anos, o risco de desenvolver doenças relacionadas ao cigarro vai caindo progressivamente.

A médica faz uma ressalva honesta: o tempo de recuperação varia conforme a idade, a quantidade de cigarros, o tempo de tabagismo e a presença de doenças já instaladas. “Algumas lesões podem ser permanentes, mas interromper o hábito sempre reduz riscos e melhora a qualidade de vida”, reforça.

O vape não é alternativa segura ao cigarro comum

A resposta curta da especialista é direta: não dá para considerar o vape um produto seguro. “Embora alguns dispositivos possuam menos substâncias resultantes da combustão do que o cigarro convencional, eles continuam expondo o organismo à nicotina e a diversos compostos químicos potencialmente nocivos”, afirma Michele Andreata.

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Já existem evidências de inflamação pulmonar, lesões respiratórias, agravamento de doenças preexistentes e possíveis impactos cardiovasculares ligados ao uso desses produtos — somados ao risco de dependência. No Brasil, a fabricação e a venda de cigarros eletrônicos são proibidas desde 2009, mas os aparelhos ainda circulam com facilidade, sobretudo pela internet.

O alerta maior é geracional. “Os cigarros eletrônicos têm atraído muitos jovens que talvez nunca tivessem iniciado o consumo de nicotina”, observa a pneumologista. Para ela, a ideia de que o vape é inofensivo ou uma alternativa saudável ao cigarro tradicional “não encontra respaldo científico”.

Os sinais discretos que o cigarro deixa nos pulmões

Os primeiros indícios costumam ser discretos — e por isso mesmo são ignorados. Entre os mais comuns, a médica cita tosse frequente, produção de catarro principalmente pela manhã, falta de ar ao subir escadas, queda no condicionamento físico e infecções respiratórias recorrentes.

O risco está justamente no silêncio. “Parte dos danos pulmonares pode se desenvolver de forma silenciosa durante anos, sem manifestações evidentes”, diz Michele Andreata. Não é raro que o paciente só descubra a doença quando a função pulmonar já está bastante comprometida. A avaliação médica e exames específicos ajudam a identificar alterações cedo.

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Fumante passivo também está exposto ao risco

Não exatamente o mesmo, mas também está longe de seguro. A fumaça do cigarro carrega milhares de substâncias químicas, muitas tóxicas e cancerígenas, inaladas por quem convive com fumantes.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias são ainda mais vulneráveis. A exposição frequente aumenta o risco de doenças cardiovasculares, câncer de pulmão, crises de asma, bronquite e outras complicações. “Não existe nível seguro de exposição à fumaça do tabaco”, resume a pneumologista.

Largar o cigarro vai muito além da força de vontade

Porque a dependência não é só química. A nicotina causa dependência física, mas o cigarro também se enraíza em hábitos, emoções e comportamentos construídos ao longo de anos — momentos de relaxamento, socialização ou alívio da ansiedade.

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Por isso, segundo Michele Andreata, parar de fumar “não depende apenas de força de vontade”. As estratégias mais eficazes combinam acompanhamento profissional, apoio psicológico quando necessário e, em muitos casos, medicamentos que reduzem os sintomas de abstinência e a vontade de fumar. O tratamento deve ser individualizado — e a boa notícia, segundo ela, é que existem recursos capazes de aumentar bastante as chances de sucesso.

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Carol Ferraris

Jornalista, pós graduada em produção de jornalismo digital pela PUC Minas. Produtora multimídia de entretenimento na Rádio 98, com passagens pelo Estado de Minas e TV Alterosa.

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