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O que é cardiomiopatia hipertrófica, causa da morte de Gabriel Ganley

Por

Ludmila Souza

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Gabriel Ganley tinha 22 anos e falava abertamente sobre o uso de anabolizantes. (Foto: Instagram / Gabriel Ganley)

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No último sábado (23/5), o fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley foi encontrado morto. O laudo apontou morte súbita por cardiomiopatia hipertrófica, condição que, segundo especialistas, tem origem genética, mas pode ser potencializada pelo uso de anabolizantes e pelo excesso de atividade física.

Trata-se da principal causa de morte súbita em atletas jovens, segundo Natália Olivetti, cardiologista do Einstein Hospital Israelita.

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A doença é caracterizada pelo espessamento do músculo cardíaco associado à combinação de predisposição genética e fatores ambientais, de acordo com Luiz Augusto Riani Costa, cardiologista e especialista em medicina esportiva da Dasa.

“A cardiomiopatia hipertrófica é a combinação de uma predisposição genética associada a um estímulo ambiental, que pode envolver treinamento de alta intensidade”, explica Costa.

A prevalência é de cerca de um caso a cada 500 pessoas e a condição costuma ocorrer principalmente entre indivíduos de 20 a 40 anos.

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Causas da cardiomiopatia hipertrófica

A condição é caracterizada pela hipertrofia da parede muscular do ventrículo esquerdo do coração, geralmente de forma assimétrica e localizada principalmente no septo interventricular, sem outras causas de sobrecarga ventricular, como hipertensão arterial ou doenças valvares.

“O músculo cardíaco pode hipertrofiar por diversas causas, como doenças valvares obstrutivas, hipertensão arterial mal controlada, excesso de atividade física, especialmente exercícios resistidos, ou uso de hormônios anabolizantes”, explica Natália.

Segundo Costa, pessoas que não utilizam esteroides androgênicos ou hormônios para melhora de performance também podem desenvolver a condição. “A doença não depende dessas substâncias, mas, quando há associação com esses medicamentos, acredita-se que exista um fator adicional para o desenvolvimento da hipertrofia do músculo”, afirma.

“Por uma questão de mutação genética, o coração responde de maneira exagerada aos estímulos que fazem ele hipertrofiar, ou seja, aumentar a espessura do músculo cardíaco”, completa.

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Além disso, treinos mais intensos e cargas elevadas podem sobrecarregar o coração e funcionar como um fator adicional para o aumento da hipertrofia cardíaca. “É importante entender que existe uma combinação entre predisposição genética e sobrecarga”, reforça Costa.

Sintomas da condição

A cardiomiopatia hipertrófica está relacionada à hipertrofia irregular do coração, associada à obstrução da via de saída do sangue, conhecida como obstrução subaórtica, além de arritmias e áreas de fibrose.

Segundo Costa, a mutação genética faz com que as células do músculo cardíaco se proliferem de forma irregular, formando áreas de fibrose que favorecem o surgimento de arritmias.

Os principais sintomas incluem falta de ar, cansaço, perda de desempenho durante esforço físico, palpitações, dor no peito, tontura e até desmaios durante atividade física.

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“O coração fica enrijecido e, como está aumentado, as câmaras ficam menores e ele não consegue bombear adequadamente o fluxo sanguíneo”, explica o cardiologista.

Pacientes com a condição também podem apresentar arritmias, caracterizadas por batimentos cardíacos irregulares. Segundo o médico, esse fator está frequentemente associado aos casos de morte súbita.

Outro mecanismo relacionado à morte súbita é a obstrução da saída do sangue do coração. Quando o músculo cardíaco está muito espessado, pode acabar bloqueando parcialmente a passagem do sangue.

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Em estágios mais avançados, o aumento da frequência cardíaca e da força de contração pode reduzir ainda mais o fluxo sanguíneo, provocando colapsos, arritmias graves e morte súbita.

“Isso está relacionado tanto à hipertrofia, que afeta o fluxo de sangue pelo coração, quanto às arritmias associadas às áreas irregulares do músculo cardíaco”, afirma Costa.

Tratamento e prevenção

Há diversos tratamentos disponíveis para cardiomiopatia hipertrófica. Segundo Natália, os avanços terapêuticos fizeram com que a expectativa de vida de pacientes tratados se aproximasse da população geral.

“Há medicamentos gerais, terapias específicas para interromper a hipertrofia, marcapassos com monitoramento de arritmias e intervenções por cateterismo, como a ablação septal, ou cirurgia cardíaca, como a miectomia”, explica.

Em pacientes considerados de alto risco para morte súbita, também pode ser indicado o implante de cardiodesfibrilador.

“Atividades físicas competitivas, intensas e extenuantes também devem ser contraindicadas nessa população”, acrescenta a médica

Para evitar casos graves, especialistas costumam solicitar exames preventivos para identificar a doença, como teste ergométrico, de função cardíaca sob esforço e ergoespirometria. “Se o paciente tiver alterações, esses testes de esforço conseguem captar”, afirma Costa.

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