Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) apontam que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, planejou uma ação para incriminar o DJ e ex-jogador da NBA Rony Seikaly, ex-marido de sua então namorada, Martha Graeff. As informações constam na investigação da PF sobre o Caso Master, tornada pública nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, Vorcaro mobilizou integrantes do grupo conhecido como “A Turma”, apontado pelos investigadores como uma estrutura usada para monitorar, intimidar e perseguir desafetos. Os diálogos indicam que o banqueiro cogitou simular um episódio envolvendo drogas e chegou a oferecer até R$ 10 milhões para a execução do plano.
“Vou por 10MM na mesa fora os custos para dar uma lição nesse cara e ensinar que com filho não se mexe”, escreveu Vorcaro em uma das mensagens citadas pela PF.
Plano previa atrair DJ para o Brasil
De acordo com os investigadores, uma das estratégias discutidas era convencer Seikaly a vir ao Brasil para tocar em um evento no Rio de Janeiro ou em Belo Horizonte.
Nas conversas interceptadas, Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, sugere trazer o DJ ao país. Em resposta, Vorcaro afirma que poderia atraí-lo para o Rio de Janeiro, onde haveria “pressão da milícia e da polícia”.
Posteriormente, o banqueiro avaliou que outro caminho poderia surtir mais efeito.
“Pressão milícia e polícia. Mas acho que a pressão da Interpol vai assustar mais”, registra uma das mensagens reproduzidas pela PF.
Grupo produziu ofício falso para a Interpol
A investigação aponta que integrantes de “A Turma” utilizaram credenciais ligadas a uma servidora do Ministério Público Federal para elaborar um ofício falso direcionado à Interpol com o objetivo de obter informações sobre Seikaly.
Segundo a PF, Vorcaro também pediu que fosse acionado um suposto “amigo da Interpol”. Até o momento, os investigadores afirmam não ter identificado quem seria esse contato.
Os policiais também encontraram registros de consultas sobre o ex-jogador em sistemas de controle migratório e bases restritas de órgãos públicos.
Monitoramento já ocorria desde 2024
As conversas analisadas pela PF mostram que Vorcaro acompanhava o ex-marido de Martha Graeff desde 2024. Em mensagens anteriores, o banqueiro afirmou ter contratado uma “equipe de solo e digital” para monitorar os passos de Seikaly.
Documentos citados na investigação também indicam que integrantes do grupo comemoraram a retirada de conteúdos da internet que relacionavam Martha Graeff ao ex-jogador da NBA.