O Brasil registrou 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabiam ler e escrever em 2025, de acordo com os dados da PNAD Contínua Educação divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (19/6). O número absoluto representa uma taxa de analfabetismo de 4,9%, o menor índice já medido desde o início da série histórica da pesquisa, em 2016. Esta é a primeira vez que o indicador nacional despenca para um patamar abaixo dos 5%, consolidando uma redução de 592 mil analfabetos em apenas um ano.
Apesar do recuo generalizado nos índices, o levantamento estatístico demonstra que o analfabetismo no território nacional ainda carrega marcas profundas de desigualdades regionais, etárias e raciais. A Região Nordeste concentra mais da metade do total de analfabetos do país, abrigando 4,8 milhões de cidadãos nessa condição, o que equivale a uma taxa de 10,6%. Em contrapartida, as regiões Sul e Sudeste ostentam os menores percentuais do relatório, registrando 2,4% e 2,3% respectivamente.
O perfil demográfico da pesquisa revela que a ausência de alfabetização básica segue concentrada majoritariamente na população idosa. Os cidadãos com 60 anos ou mais representavam 58% de todos os analfabetos do país no ano passado, somando 4,8 milhões de pessoas que não conseguiam redigir um bilhete simples. Nesse grupo, o IBGE identificou uma virada estatística inédita: a taxa das mulheres idosas (13,7%) ficou abaixo da registrada entre os homens (14,1%).
Recorte racial da educação e o avanço da escolaridade na população adulta
As distâncias sociais persistem quando os técnicos analisam o quesito de cor ou raça entre a população com 15 anos ou mais. O analfabetismo atingia apenas 2,8% das pessoas brancas em 2025, enquanto o indicador saltava para 6,5% entre pretos ou pardos. Na faixa etária acima dos 60 anos, a disparidade histórica se ampliava ainda mais, alcançando 7,3% para os idosos brancos e escalando para 20,6% entre os idosos pretos ou pardos.
Por outro lado, a PNAD apontou uma evolução inédita no nível de instrução e de escolaridade da população adulta brasileira. Pela primeira vez na história do indicador, mais da metade das pessoas pretas ou pardas com 25 anos ou mais tinha concluído ao menos o ensino médio, atingindo 51,3% de cobertura. No total geral da sociedade nessa faixa etária, 57,4% terminaram a educação básica obrigatória, superando o patamar de 46% registrado em 2016.
O nível de brasileiros adultos com diploma de ensino superior completo também acompanhou a tendência de alta e avançou para 21,4% no último ano. Os analistas do instituto ligam o crescimento educacional ao maior tempo de permanência das novas gerações nas salas de aula das redes de ensino. O cenário geral de desenvolvimento pedagógico estimula a formulação de novas políticas públicas focadas em combater a exclusão de jovens e adultos do mercado formal.
Por fim, o relatório oficial detalhou uma retração importante no grupo de jovens de 15 a 29 anos que não trabalhavam e nem estudavam. O contingente de pessoas nessa situação recuou de 11 milhões em 2019 para 8,2 milhões no balanço fechado de 2025, o que representa 17,5% desse extrato social. A queda de 4,8% na comparação direta com o ano anterior demonstra um maior dinamismo na busca por qualificação profissional e inserção produtiva.
