A influenciadora e advogada Deolane Bezerra teve o exercício da advocacia suspenso pela Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP). A medida impede imediatamente que ela atue profissionalmente como advogada.
Segundo informações divulgadas pela entidade, a suspensão tem prazo inicial de 90 dias, podendo ser prorrogada sucessivamente até o limite de 360 dias, conforme prevê a legislação que regula a profissão. Durante esse período, deverá ocorrer o julgamento definitivo do caso.
A OAB-SP informou que apura todas as possíveis infrações ético-disciplinares que chegam ao seu conhecimento, seja por meio de representações formais ou por fatos amplamente divulgados publicamente. A análise é conduzida pelo Tribunal de Ética e Disciplina da seccional paulista.
A entidade ressaltou ainda que, de acordo com o artigo 72, parágrafo 2º, da Lei nº 8.906/94, os processos disciplinares tramitam sob sigilo, o que impede a divulgação de detalhes sobre as acusações investigadas ou sobre o andamento do procedimento.
Com a decisão, Deolane fica impedida de exercer atividades privativas da advocacia enquanto a suspensão estiver em vigor. O caso seguirá sob análise da OAB-SP até a conclusão do processo disciplinar.
Envolvimento com o PCC
A decisão ocorre em meio ao avanço de investigações criminais envolvendo Deolane. Recentemente, a Justiça de São Paulo aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público e transformou a influenciadora em ré em um processo que apura suposta participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A decisão foi assinada pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau. Com o recebimento da denúncia, Deolane passou oficialmente à condição de ré e responderá ao processo criminal.
Além dela, também foram incluídos na ação penal o apontado líder da facção, Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e familiares ligados a ele: Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior.
A investigação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), núcleo de Presidente Prudente. De acordo com o Ministério Público, o grupo teria utilizado uma empresa do setor de transportes para movimentar e distribuir recursos de origem ilícita.
Os promotores sustentam que familiares e pessoas de confiança dos líderes da organização criminosa atuariam na execução de ordens relacionadas à administração e circulação dos valores investigados. A denúncia foi assinada por sete integrantes do Ministério Público, entre eles o promotor Lincoln Gakiya, que há anos atua em investigações envolvendo o PCC.
Na mesma decisão, a Justiça rejeitou um pedido da defesa de Deolane para transferência de unidade prisional. O Ministério Público também se posicionou contra a concessão de prisão domiciliar, argumentando que a medida não seria aplicável a casos envolvendo organizações criminosas que utilizam violência para manter suas atividades.
Deolane está presa em Tupi Paulista e nega envolvimento com as acusações. Com o recebimento da denúncia, o processo entra agora em uma nova fase, na qual os acusados poderão apresentar defesa e contestar as provas reunidas durante a investigação.
