O governo federal divulgou, nesta terça-feira (07/7), uma nota em que critica a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington. Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o parlamentar “optou por sugerir” o adiamento das tarifas propostas pelo governo norte-americano, em vez de se posicionar contra a medida.
A audiência discutiu, entre outros temas, a proposta do governo do presidente Donald Trump de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Além de Flávio Bolsonaro, representantes de entidades do setor produtivo brasileiro participaram do encontro para apresentar argumentos sobre os possíveis impactos da medida.
Na nota, o governo afirma que, dos 78 inscritos para se manifestar na audiência, 63 se posicionaram contra o tarifaço e 15 foram favoráveis. Segundo a Secom, entre os 34 brasileiros inscritos, Flávio Bolsonaro foi o único que não se manifestou contra as tarifas, defendendo apenas o adiamento da medida.
Governo diz que senador legitimou investigação dos Estados Unidos
Na manifestação, a Secom afirma que o senador deixou de contestar as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para impor as tarifas ao Brasil e “optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores” brasileiros.
O governo também afirma que Flávio Bolsonaro não negou que a campanha promovida por sua família e aliados tenha contribuído para a adoção das tarifas pelos Estados Unidos.
Nota também cita Pix e relação de Flávio com Daniel Vorcaro
A Secretaria de Comunicação Social também criticou a posição do senador em relação ao Pix. Segundo a nota, Flávio defendeu a revogação de decretos brasileiros relacionados ao ambiente digital e, ao tratar do sistema de pagamentos instantâneos, “propõe subordinar o Pix aos interesses norte-americanos”.
O texto ainda menciona o caso Master e cita a relação do senador com o empresário Daniel Vorcaro. Segundo a Secom, Flávio Bolsonaro “esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de R$ 130 milhões para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai”.
Governo diz que negocia para reverter tarifas
A nota afirma que o governo brasileiro mantém negociações com os Estados Unidos desde julho de 2025 para tentar reverter as tarifas impostas aos produtos brasileiros. Segundo a Secom, representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Justiça e do Palácio do Planalto participaram, nesta terça-feira, de uma reunião com técnicos do USTR para discutir o tema.
Ao final da manifestação, a Secretaria de Comunicação Social afirma que há diferença entre fazer oposição ao governo e ao país.
“Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, diz o texto.
Veja a nota completa
O governo brasileiro repudia a intervenção do senador Flávio Bolsonaro em audiência pública realizada, nesta terça-feira (7), pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), aberta à participação do setor privado e da sociedade civil para discutir a imposição de tarifas contra o Brasil.
Ao todo, 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para se manifestar sobre o tarifaço. Desse total (somando brasileiros e estadunidenses), 63 são contra o tarifaço, 15 são a favor. Das 44 intervenções de estadunidenses, 30 são contra o tarifaço e 14 a favor. Entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro.
Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país. O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil. Tampouco aproveitou a audiência de hoje para reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro.
O senador defendeu a revogação de decretos brasileiros que previnem a circulação de conteúdos criminosos e enfrentam a violência contra mulheres no ambiente digital. Isso só interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa dele para cometer crimes. Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai.
Assim como o caso Master, os descontos ilegais que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas do INSS também começaram no governo Bolsonaro. Foi no atual governo que o esquema foi desbaratado pela Controladoria Geral da União e a Polícia Federal e que 3,2 bilhões de reais que haviam sido desviados foram devolvidos para 4,2 milhões de beneficiários. Ao contrário do que o senador Flávio Bolsonaro e sua família defenderam ao longo do último ano, ele agora tenta mudar o discurso e passar a imagem de que defende o PIX. Mesmo assim, propõe subordinar o PIX aos interesses norte-americanos.
O governo brasileiro negocia ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025 para reverter as tarifas aplicadas injustificadamente contra o Brasil. Por meio de reuniões, cartas, telefonemas e encontros no mais alto nível, temos demonstrado que as tarifas não têm fundamento. Esta manhã, enquanto o senador Flávio Bolsonaro tentava politizar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, funcionários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Itamaraty; Ministério da Justiça; e do Palácio do Planalto mantinham reunião com técnicos do USTR para desfazer o tarifaço contra o Brasil.
Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro.
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República