O ex-presidente da Câmara dos Deputados e pré-candidato a deputado federal por Minas Gerais, Eduardo Cunha (Republicanos), disse nesta segunda-feira (13/7), que não tem que se declarar inocente, uma vez que nenhum crime foi cometido no caso das emendas que levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, a determinar o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens. Em entrevista à 98News, Cunha afirmou que apenas recebia pedidos de prefeitos e vereadores e os encaminhava ao Partido Liberal (PL), sem participar da indicação formal de emendas parlamentares.
No último domingo (12/7), tornou pública a decisão de Flávio Dino, que determinou o bloqueio dos bens de Eduardo Cunha após a Polícia Federal apontar indícios de que o ex-deputado teria atuado no direcionamento de emendas parlamentares mesmo sem exercer mandato. Na decisão, o ministro afirmou que Cunha “parece ter atuado, até muito recentemente, como mandante do (re)direcionamento de valores públicos”.
Durante a entrevista, Cunha disse que nunca teve poder para indicar emendas e que sua atuação se limitava a apresentar demandas recebidas de lideranças políticas ao líder da bancada do PL.
“Eu não sou parlamentar, não sou autor de emenda nenhuma porque não posso sê-lo. O que acontece é que eu sou a parte da sociedade, assim como os prefeitos que me procuram, os vereadores, os agentes da sociedade civil de cada região que me procuram e pedem recursos. Como eu não sou deputado, o que me coube fazer? Levar para o meu partido.”
Segundo ele, cabia exclusivamente ao líder partidário decidir se acolheria ou não os pedidos apresentados.
“Levando para o meu partido, o líder da bancada acolheu uma parte das minhas sugestões e assumiu como indicação do mandato dele. A emenda tem autoria, não é emenda fantasma. Está lá, é um deputado de Minas Gerais que, por acaso, era o líder da bancada. Ele assumiu. Poderia não ter assumido, como não assumiu outras indicações que eu fiz. Eu fiz várias, ele assumiu uma parte. Eu não vejo nada de ilegal nisso.”