O período de tempo seco em Minas Gerais tem elevado o alerta para problemas respiratórios e aumento do risco de queimadas. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um aviso para 304 cidades mineiras, com previsão de umidade relativa do ar entre 20% e 30%, índice considerado abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que indica uma faixa entre 40% e 70% como mais adequada para a saúde.
A baixa umidade pode causar ressecamento das vias respiratórias, irritação, desidratação e agravamento de doenças como asma e alergias. O cenário também preocupa devido ao aumento da vegetação seca, que favorece a propagação de incêndios florestais.
Segundo o Monitoramento de Incêndios Florestais para Vigilância em Saúde, divulgado pelo Ministério da Saúde, Minas Gerais foi o sexto estado brasileiro com maior número de focos de calor registrados na última semana.
O quadro ocorre durante a influência do fenômeno El Niño, que deve persistir até o início de 2027. A previsão indica temperaturas acima da média e chuvas abaixo do esperado na região Centro-Norte do país entre julho e setembro, condições que favorecem a estiagem e a ocorrência de queimadas.
Fumaça das queimadas preocupa especialistas
Com o aumento dos incêndios, especialistas do Hospital da Baleia, em Belo Horizonte, alertam para os impactos da fumaça na saúde da população. De acordo com a pneumologista pediátrica Fabiana Lima, a fumaça das queimadas contém gases tóxicos e partículas finas que podem alcançar regiões profundas dos pulmões e até entrar na corrente sanguínea.
A concentração desses poluentes tende a aumentar em períodos de ar seco, ampliando a exposição da população.
Entre os sintomas mais frequentes estão irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse, falta de ar e piora de doenças respiratórias já existentes, como asma, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
A médica também alerta para o risco de complicações mais graves, como pneumonias e eventos cardiovasculares, incluindo infarto e acidente vascular cerebral (AVC), principalmente entre pessoas mais vulneráveis.
Nas crianças, a exposição à fumaça pode aumentar episódios de chiado no peito e levar a mais atendimentos de urgência.
Grupos que exigem atenção redobrada
Segundo a pneumologista, alguns grupos devem adotar cuidados extras durante períodos de baixa umidade e exposição à fumaça:
- Crianças, principalmente menores de 5 anos, devido ao desenvolvimento do sistema respiratório;
- Idosos, que apresentam maior vulnerabilidade respiratória e cardiovascular;
- Pessoas com doenças respiratórias, como asma, bronquite, DPOC e fibrose pulmonar;
- Pacientes com doenças cardíacas;
- Gestantes, devido aos possíveis impactos para a saúde materna e fetal.
Veja recomendações para reduzir os impactos do tempo seco
A pneumologista Fabiana Lima e o pediatra Marcio Ministério, ambos do Hospital da Baleia, orientam medidas para diminuir os efeitos da baixa umidade e da poluição do ar.
Entre os principais cuidados estão manter uma boa hidratação ao longo do dia, evitar atividades físicas intensas em áreas externas durante períodos de fumaça ou baixa qualidade do ar e manter os ambientes limpos e ventilados.
Também é recomendado não interromper tratamentos de doenças respiratórias sem orientação médica e buscar atendimento em casos de falta de ar, chiado no peito, dor no peito, febre persistente ou piora dos sintomas.
Em situações de fumaça intensa, adolescentes e adultos podem utilizar máscaras do tipo PFF2 ou N95 para reduzir a inalação de partículas. O equipamento, no entanto, não deve ser utilizado por crianças menores de 2 anos.
Outras medidas incluem manter portas e janelas fechadas durante períodos de maior concentração de poluentes, evitar fontes internas de fumaça, como cigarros, fogões a lenha, velas e lareiras, além de redobrar a atenção ao dirigir em locais com baixa visibilidade causada pela fumaça.
Também é importante evitar ações que possam provocar incêndios, como descartar bitucas de cigarro ou fósforos na vegetação, soltar balões, utilizar fogos de artifício ou fazer fogueiras.
Cuidados com as crianças
Para o público infantil, os médicos recomendam oferecer água com frequência, incentivar o consumo de frutas com alto teor de líquido e realizar lavagem nasal com soro fisiológico para aliviar o ressecamento das vias aéreas.
Pais e responsáveis devem observar sinais de alerta, como respiração acelerada, esforço para respirar, chiado no peito, sonolência excessiva, dificuldade para se alimentar e coloração arroxeada nos lábios. Nessas situações, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
Crianças com asma, rinite alérgica ou outras doenças respiratórias devem manter o tratamento indicado pelo pediatra e seguir as orientações para controle de crises.
