A adoção de inteligência artificial (IA) pode adicionar até R$ 986,7 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre 2027 e 2030. É o que aponta um estudo inédito da consultoria Reglab comissionado pela OpenAI, empresa criadora do ChatGPT.
O montante calculado representa um impacto acumulado equivalente a 2,77% do PIB ao longo de três anos. O levantamento ressalta, no entanto, que os ganhos econômicos ocorrerão de forma gradual à medida que empresas, governos e trabalhadores incorporarem a tecnologia.
O levantamento avaliou o impacto da IA em 12 grandes setores da economia nacional e dividiu os benefícios em duas frentes principais: o aumento da produtividade do trabalho humano e a otimização da eficiência de máquinas e estruturas produtivas.
Setores mais beneficiados e o fator produtividade
A indústria de transformação lidera com folga as projeções nacionais, seguida pelas áreas de serviços e do comércio. O estudo detalha a divisão dos R$ 986,7 bilhões acumulados entre as principais atividades econômicas do país:
| Ordenação | Segmento | Impacto (em R$ bilhões) |
| 1 | Indústrias de transformação | 264,24 |
| 2 | Outras atividades de serviços | 165,38 |
| 3 | Comércio | 131,15 |
| 4 | Administração, saúde e educação públicas | 106,09 |
| 5 | Atividades financeiras | 76,11 |
| 6 | Informação e comunicação | 49,26 |
| 7 | Agropecuária | 48,19 |
| 8 | Indústrias extrativas | 33,54 |
| 9 | Construção | 33,54 |
| 10 | Eletricidade, água e saneamento | 28,77 |
| 11 | Transporte e armazenagem | 27,35 |
| 12 | Atividades imobiliárias | 23,13 |
| Total | Economia brasileira | 986,74 |
Cerca de 65% do impacto total estimado virá do ganho de produtividade dos trabalhadores, enquanto 35% resultará da maior eficiência do capital. No entanto, essa proporção varia drasticamente de acordo com a característica de cada mercado.
Na agropecuária, por exemplo, 92% do ganho de R$ 48,19 bilhões virá da integração de IA em máquinas e equipamentos. Em contrapartida, nas atividades financeiras e de comunicação, mais de 85% do benefício decorre da otimização de tarefas cognitivas realizadas por pessoas.
Automação, reorganização do trabalho e desafios
O estudo faz uma distinção clara entre a exposição à inteligência artificial e a substituição definitiva de mão de obra. A análise aponta que a tecnologia atuará predominantemente como uma ferramenta complementar à capacidade humana.
De acordo com o modelo adotado, a cada 100 tarefas expostas à IA, apenas 23 passariam pelo filtro de custo-benefício para automação completa. As 77 restantes servirão para reorganizar e potencializar o trabalho exercido por profissionais nas empresas.
Para materializar esse potencial na economia, os autores ressaltam que o país precisa focar na requalificação profissional de trabalhadores e na expansão da conectividade digital no campo. Além disso, o incentivo a pequenas empresas e a criação de um marco regulatório claro e previsível são apontados como fundamentais.
A conclusão do relatório reforça que a expansão do PIB dependerá da capacidade do país em alinhar avanço tecnológico com políticas públicas eficientes e educação. Sem essa base institucional, a difusão da inteligência artificial pode encontrar gargalos no mercado produtivo.
