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Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas

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Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial de R$ 17,3 bilhões, mas lojas e site seguem operando. (Foto: Reprodução/Youtube)

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O Grupo Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo na noite deste domingo (16/8). A medida inclui a holding principal e outras nove empresas do grupo com o objetivo de reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações no país.

O pedido, então, foi protocolado em caráter de urgência no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e reestruturações, e precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. A iniciativa já conta com a aprovação do Conselho de Administração e do acionista controlador da companhia.

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O mecanismo de recuperação judicial permite que a empresa renegocie seus débitos sob supervisão da Justiça para evitar a falência e preservar empregos. A varejista informou que pretende manter o funcionamento de suas lojas físicas, do e-commerce e dos demais canais de venda sem paralisações para os consumidores.

Contexto econômico e histórico de reestruturação

Esta não é a primeira tentativa de reequilíbrio financeiro da rede, que realizou uma recuperação extrajudicial em 2024 para renegociar R$ 4,1 bilhões com bancos. Na ocasião, a aposta era de que a redução de custos e a retomada do consumo estabilizariam as contas, mas o cenário macroeconômico continuou se deteriorando.

Em comunicado ao mercado, a Casas Bahia explicou que enfrentou juros elevados, restrição ao crédito, alta nos custos financeiros e queda no consumo, fatores que reduziram a geração de caixa. A empresa destacou ainda que não conseguiu concluir captações de recursos essenciais que vinha buscando desde o fim de 2025.

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A medida faz parte da segunda fase do Plano de Transformação iniciado em 2023 para tornar a operação mais eficiente. Como parte dessa estratégia para aumentar a rentabilidade das unidades remanescentes, o grupo fechou 298 lojas pouco lucrativas, enxugou estoques e reduziu custos operacionais.

Prejuízo bilionário no balanço e troca na diretoria

O pedido de recuperação ocorreu, portanto, um dia após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026, quando a rede registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões. Do total, R$ 9,1 bilhões correspondem a ajustes contábeis extraordinários e custos de reestruturação, como a baixa de créditos tributários e a reavaliação de ativos. Esses lançamentos foram realizados sem causar impacto imediato no caixa da companhia.

Apesar do resultado contábil negativo, a empresa apresentou, entretanto, evolução em indicadores operacionais importantes do período. A receita líquida da companhia cresceu 1,6%, alcançando R$ 6,98 bilhões no período. O avanço de 15,3% nas vendas diretas pela internet, somado ao aumento da geração de caixa e ao alongamento das dívidas, impulsionou o resultado.

Junto ao processo judicial, a Casas Bahia anunciou a saída do vice-presidente Jurídico e Tributário, Fábio Spina, que atuava no cargo desde 2024. Para assumir a posição na alta administração, a companhia nomeou Sírley Lima, executiva com mais de 20 anos de experiência e passagens por grandes empresas como Heineken, Pernod Ricard, Souza Cruz e EY.

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Gustavo Macedo

Jornalista graduado pela PUC Minas em atividade na Rede 98 desde 2023

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