A petroquímica Braskem anunciou nesta segunda-feira (24/8) que vai pedir recuperação judicial. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração da empresa e busca reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras, valor equivalente a aproximadamente R$ 56 bilhões.
A decisão ocorre ao fim do prazo de proteção contra ações de cobrança e execuções de credores que a petroquímica havia obtido enquanto negociava o passivo. O protocolo dos documentos para oficializar o pedido na Justiça deve ocorrer nas próximas etapas do processo.
Com a formalização, a companhia iniciará uma nova fase de negociações para definir prazos, períodos de carência e condições de pagamento do passivo. A recuperação extrajudicial permite reordenar os débitos diretamente com os credores para posterior homologação judicial, sem paralisar as atividades da empresa.
A Braskem ressaltou que o procedimento possui escopo estritamente financeiro e limitado aos títulos e contratos renegociados. Com isso, os compromissos com clientes, fornecedores, parceiros comerciais e colaboradores seguem vigentes e serão cumpridos normalmente.
Ajuste financeiro e operações globais
A reestruturação foca principalmente em papéis de dívida emitidos no mercado internacional. Em comunicado ao mercado enviado nos últimos dias, a petroquímica já havia informado sobre a intensificação das conversas com investidores para proteger o caixa e reorganizar o passivo.
Paralelamente, a subsidiária mexicana da empresa, a Braskem Idesa, enfrenta um processo de recuperação judicial nos Estados Unidos sob o mecanismo do Chapter 11. O plano de reestruturação internacional prevê um aporte de US$ 476 milhões da controladora para manter a gestão do ativo no México.
Criada em 2002 e tendo a Petrobras entre suas principais acionistas, a Braskem é uma das maiores produtoras de resinas plásticas e insumos químicos das Américas. A companhia mantém operações industriais no Brasil, nos Estados Unidos, na Alemanha e no México.
