O estado de Minas Gerais concentra quase metade dos projetos de pesquisa e desenvolvimento de terras raras mapeados atualmente no Brasil. São pelo menos oito iniciativas em andamento das 19 identificadas em todo o território nacional pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais.
A movimentação consolida a região como o principal polo de exploração científica e mineral desses elementos essenciais para a indústria tecnológica global.
Entre as empresas que investem no estado está a Viridis Mining (também identificada como Airides Mining), que desenvolve pesquisas em Poços de Caldas, no sul mineiro. O diretor-executivo da companhia, Klaus Petersen, ressalta o diferencial competitivo da região:
“Hoje em dia, Poços de Caldas é o melhor minério de terras raras que se conhece, né? E, por sorte, em Minas Gerais, pertinho da fronteira com São Paulo. E é indiscutivelmente econômico, né? Quer dizer, ele é muito difícil de que a mina não possa performar no passar de décadas de produção, mas tem um produto que é bastante competitivo para o mercado atual”.
Investimento de bilhões e projetos geracionais
Os três maiores projetos em andamento no estado são o Colossus (da Viridis), o Caldeira (da Meteoric) e o Projeto Araxá (da St George Mining). Juntas, as iniciativas preveem destinar mais de R$ 6 bilhões de reais nos próximos anos, entre valores já aplicados e novos investimentos programados. A expectativa é que as operações de extração tenham início a partir de 2028.
Para Klaus Petersen, a estruturação financeira dos projetos demonstra a solidez dos negócios no estado, com uma perspectiva de retorno rápido e produção de longo prazo:

“A gente tem um planejamento para ter o payback, ou seja, o retorno desse dinheiro, o pagamento dessa dívida em cerca de 2 anos, 2 a 3 anos no máximo. Então é um ótimo negócio. A gente tem uma vida útil já planejada para 15 anos, e a gente tem como expandir isso para mais 30, 40 anos de operação. Se o mercado se comportar igual e consumir esse produto, a gente vai operar por multigeração”.
Do laboratório à autossuficiência na produção de ímãs
Além da mineração, Minas Gerais avança na cadeia de industrialização com o projeto MagBras, desenvolvido pelo CIT SENAI ITR (Instituto de Tecnologia em Terras Raras). O laboratório-fábrica focado em terras raras e na fabricação de ímãs permanentes é pioneiro no Hemisfério Sul. Recentemente, a instituição recebeu da Meteoric o primeiro lote de matéria-prima extraída no Brasil para testar a produção de ímãs em escala nacional.
O pesquisador Eduardo Neves aponta que o estado superou gargalos de mão de obra e está mais próximo de consolidar essa tecnologia:

“Foi muito gratificante tirar o primeiro ímã aqui. Nesses dois anos, a gente veio instalando os equipamentos. A gente tem vários processos e dificuldades em ter essa mão de obra disponível para nos ajudar, mas agora a gente nunca esteve tão perto de ter ímãs, e ter ímãs bons. A gente está cada dia mais buscando melhorar os nossos processos e ter ímãs competitivos para conseguir transferir isso para a indústria”.
A meta do CIT SENAI ITR é transferir a tecnologia desenvolvida em laboratório diretamente para empresas brasileiras.
O papel do planejamento e o horizonte até 2030
Apesar do otimismo, o setor privado defende que o governo brasileiro desempenhe um papel mais ativo no mapeamento geológico detalhado das áreas, citando modelos aplicados por países como Austrália e Canadá. Segundo Petersen, o suporte governamental é peça-chave para ampliar investimentos e garantir que os projetos tragam benefícios para múltiplas gerações.
A curto prazo, apenas os projetos Colossus e Caldeira possuem projeções definidas de capacidade de produção, estimadas conjuntamente em 23 mil toneladas de terras raras por ano. Na etapa seguinte da cadeia de industrialização, o CIT SENAI ITR projeta uma capacidade de transformação de 100 toneladas anuais de ímãs permanentes.
Se os cronogramas avançarem conforme o planejado, o período entre 2028 e 2030 consolidará a transição de Minas Gerais de uma promessa geológica para um polo estratégico de alta tecnologia.
