Com a polarização cristalizada na disputa pelo Palácio do Planalto, seria tentador defender que o vencedor na disputa pela Presidência conseguisse eleger seu candidato em Minas.
Mas, quando olhamos os dados dos últimos 20 anos, vemos que, apesar de o candidato que venceu a eleição presidencial em Minas também ter vencido no Brasil, quem ganhar a eleição presidencial em Minas não necessariamente elegerá o governador.
Minas tem 16 milhões de eleitores, distribuídos por 853 municípios, muitos deles pequenos e afastados dos grandes centros. Quem chega a esses moradores é o prefeito e outras lideranças locais. Aquelas que muitas vezes se conhecem desde criança têm relações de parentesco ou se encontram na missa de domingo. É quem aperta a mão do eleitor. É quem influencia o voto dele.
Por isso, não espanta quando vemos santinhos com prefeitos indicando “seus candidatos” numa salada partidária. Por isso, vimos os fenômenos Lulécio e Dilmasia em 2006 e 2010. Na primeira, Lula teve 50% dos votos em Minas no primeiro turno. Aécio Neves, do PSDB, somou 77% para governador. Nilmário Miranda, do PT, ficou com apenas 22% — quase 29 pontos abaixo de Lula. O resultado mostrava que uma parcela grande do eleitorado não via contradição em votar nos dois, e a rivalidade entre eles era grande. A história foi parecida em 2010, quando Dilma venceu em Minas, mas Anastasia teve votação muito superior à dela.
Em 2014, Dilma ganhou com 43,48% em Minas, e Pimentel se elegeu com 52%. O quadro é diferente, mas reforça a tese. O PT venceu nos dois níveis, mas Pimentel não ganhou porque Dilma ganhou, tanto que teve percentual maior que ela. Ele tinha identidade com o Estado.
Por tudo isso, o perfil de alguém como o de Marcelo Aro é tão valorizado nas campanhas. Articulador, bem conectado Estado afora. Por isso, Luiz Eduardo Falcão assumiu seu lugar na coordenação de Cleitinho, levando para a campanha a experiência como ex-prefeito e ex-presidente da AMM. Nos dois cargos, fez contatos e construiu conexões, tem identificação. Olha a influência aí de novo.
A mesma influência que fez Zema e Mateus Simões investirem tempo, cargo, confiança e recursos em Aro durante anos. Depois que romperam, Simões escolheu Danilo de Castro, com toda sua história e influência, para substituir Aro. E é por isso — e pelo medo de herdar, além dos votos, a rejeição do candidato à Presidência, mas isso é assunto para outro momento — que a nacionalização da campanha não é, automaticamente, uma aposta dos candidatos.
