Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, comprou um veículo em uma concessionária da BYD por R$ 102,1 mil, com pagamento integral em espécie. A operação aparece em relatório financeiro reproduzido no documento de uma investigação que teve o sigilo retirado nesta quinta-feira (10/9) pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A comunicação registra que Karina adquiriu o veículo em 13 de janeiro de 2025 por R$ 102.190. A compra foi feita junto à CMD BD Comércio de Automóveis Elétricos, identificada no documento como a concessionária BYD Dahruj, em São Paulo. O pagamento integral em espécie foi o motivo apontado para a comunicação da operação.
Uma Informação de Polícia Judiciária da Polícia Federal (PF), também reproduzida no documento, registra Karina como proprietária de um BYD Song Plus 1.5 híbrido, modelo 2025. O automóvel aparece com valor de R$ 184.858 na tabela Fipe.
Karina é sócia da Go Up Entertainment, apontada no processo como produtora de Dark Horse. A investigação afirma que a empresa recebeu recursos de pessoas e empresas relacionadas ao núcleo investigado e aponta possível integração patrimonial e operacional com entidades beneficiárias de emendas parlamentares.
Movimentações da produtora
Em outra comunicação, as contas da Go Up aparecem com R$ 19,03 milhões em movimentações consideradas atípicas entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Desse total, foram R$ 8,95 milhões em créditos e R$ 10,07 milhões em débitos.
A produtora recebeu, entre outros valores, R$ 3,92 milhões da Moneycorp Banco de Câmbio, R$ 2,61 milhões da GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, R$ 1 milhão de Marcello de Oliveira Lopes, R$ 750 mil da NTT Brasil e R$ 645,4 mil do deputado Mário Frias.
A PF registra que as gravações de Dark Horse ocorreram entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025 e destaca a coincidência temporal entre a produção do filme e parte das movimentações financeiras analisadas.