Lula se surpreendeu com o resultado que veio das urnas. Mas foi só ele mesmo. Ele, Janja e uns poucos petistas que se recusam a aterrissar no Brasil de 2026. O presidente não estava apenas fora das redes sociais. Estava desconectado das dores do brasileiro. E é por isso que a campanha de Flávio Bolsonaro é melhor. Estou falando da campanha, não julgando os candidatos. Flávio entendeu o medo da violência. Entendeu que eleição é sobre o presente, mas, principalmente, sobre o futuro. Entendeu que o antipetismo impera, que o mercado de trabalho mudou e que a população carece de esperança. Quer mudança.
Lula tenta uma virada radical na campanha, mas corre o risco de dar um giro de 360 graus e parar exatamente onde começou. Apesar dos formatos novos, o discurso atualizado soa como estratégia eleitoral pura e simples. Quem vê Lula dizer que, para bandido, haverá punição pode sentir o desconforto de ouvir essa afirmação do político de quase 81 anos que passou a vida defendendo que a violência tem relação com a exclusão, a miséria e a falta de oportunidades.
O presidente também não entendeu o recado de Kátia Abreu, celebrado no entorno de Lula como a mensagem que todo mundo gostaria de ter coragem de passar: menos Janja, mais Alckmin. A primeira-dama cantando música gospel pode soar falso. Falando palavrão em cima de carro de som, fala apenas com a própria bolha e, para piorar, corre o risco de criar antipatia entre os mais de três milhões de eleitores do deputado que ela mirava. Eleição é estratégia, é foco. É saber para quem se pede votos.
E, como cereja do bolo, o PT quer ensinar seus seguidores a conversar com o eleitor que deseja conquistar, orientando-os a deixar de cobrar e criticar quem vota no candidato concorrente. Como se ser gay, pobre ou negro obrigasse alguém a votar em Lula. Benefício social é direito, não propriedade da esquerda.
Uma campanha que precisa ensinar seus aliados que expressões como “CEO de MEI”, além de injustas e burras, afastam o eleitor tem um problema que vai muito além da comunicação. Revela a dificuldade de compreender quem está do outro lado. E ajuda a explicar por que o elitismo intelectual se tornou um dos fatores que contribuíram para a perda de espaço para a direita.
