A federação formada pelo PSOL e pela Rede Sustentabilidade mantém conversas com outras legendas para uma possível ampliação da aliança partidária. Entre os partidos procurados estão a Unidade Popular (UP) e o PDT, conforme informações obtidas pela Rede 98 com fontes ligadas às negociações. No caso da UP, entretanto, a proposta enfrenta resistência interna e ainda não houve qualquer decisão sobre uma eventual federação.
Segundo fontes ouvidas pela Rede 98, o PSOL apresentou a possibilidade de uma federação com a Unidade Popular durante uma reunião realizada antes do segundo turno das eleições presidenciais. Na ocasião, a aproximação era vista por integrantes do PSOL como uma das alternativas para superar a cláusula de barreira, antes da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desta terça-feira (27/10).
Uma fonte ligada à Unidade Popular confirmou à Rede 98 que houve uma reunião na qual o PSOL apresentou a possibilidade de uma federação, mas ressaltou que a legenda não tomou nenhuma decisão sobre o assunto.
O interlocutor também questionou a viabilidade da proposta e afirmou que a manutenção da independência partidária é uma posição antiga da UP. Segundo ele, o partido foi criado quando a cláusula de barreira já estava em vigor e sem acesso ao Fundo Partidário.
Na avaliação da fonte, caso a intenção fosse integrar uma federação com outra legenda, não teria feito sentido criar e registrar a Unidade Popular como um partido independente. Por esse motivo, considera praticamente inexistentes as chances de uma federação entre UP e PSOL.
A resistência manifestada por integrantes da Unidade Popular não significa que o partido tenha rejeitado formalmente a proposta. Até o momento, não há confirmação de uma deliberação da direção nacional sobre o assunto.
Disputa interna no PSOL influencia negociações
As conversas ocorrem em meio a divergências entre correntes do PSOL sobre a relação do partido com o PT e a participação em federações partidárias.
Uma ala mais favorável à aproximação com os petistas, associada nacionalmente a lideranças como Guilherme Boulos e Erika Hilton, defendia a entrada do PSOL na Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV.
A proposta enfrentou resistência de setores mais à esquerda do partido, ligados a nomes como Sâmia Bomfim, Glauber Braga e Jones Manoel, que defendem maior autonomia política em relação ao PT.
Fontes ouvidas pela Rede 98 apontam que o grupo favorável a uma aproximação mais estreita com os petistas enfrenta um cenário de perda de espaço interno, enquanto correntes que defendem posições mais à esquerda ganham força nas discussões partidárias.
Em 7 de março de 2026, o Diretório Nacional do PSOL decidiu não ingressar na Federação Brasil da Esperança. A decisão manteve a aliança com a Rede Sustentabilidade, formada em 2022.
Na mesma reunião, o partido aprovou o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já no primeiro turno das eleições.
Na ocasião, o PSOL justificou a decisão de apoiar Lula como parte de sua estratégia de enfrentamento à extrema-direita, apesar de manter uma estrutura partidária independente da federação liderada pelo PT.
PDT também participa das conversas
Além da Unidade Popular, a federação PSOL-Rede mantém diálogo com o PDT, que avalia diferentes possibilidades de reorganização partidária após as eleições de 2026.
Na terça-feira (27/10), o Diretório Nacional do PDT autorizou a Executiva Nacional a avançar nas negociações sobre federação, fusão ou incorporação com outras legendas.
Apesar das conversas com PSOL e Rede, a preferência anunciada pela direção trabalhista é uma federação com o PSB.
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, afirmou que o partido também mantém diálogo com Avante, PRD, Solidariedade, PSDB e Cidadania. Contudo, a Rede 98 confirmou que o Avante, PRD e Solidariedade já protocolaram no TSE uma ação para se tornarem Federação.