O analista de relações internacionais e ex-intérprete da Organização das Nações Unidas (ONU), Ewandro Magalhães, avaliou que a saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil para os Estados Unidos ainda envolve circunstâncias pouco esclarecidas. Em entrevista à 98News, Magalhães afirmou que a decisão de deixar o país pode dificultar a atuação do senador como líder da oposição e criticou a declaração de Flávio de que seria o verdadeiro presidente eleito.
Para o analista, ainda faltam informações confiáveis sobre o trajeto percorrido pelo senador e a participação de autoridades estrangeiras em sua chegada aos Estados Unidos.
“É uma situação muito nebulosa, porque ainda não se dispõe de fatos totalmente confiáveis a respeito do que de fato aconteceu”, afirmou.
Segundo Magalhães, as informações divulgadas até o momento indicam que Flávio teria atravessado a fronteira brasileira por via terrestre, acompanhado da família, e ingressado na Argentina após passar pelos procedimentos migratórios.
O analista ressaltou, entretanto, que não há elementos suficientes para concluir que o governo argentino tenha participado de uma operação planejada para receber o senador.
Analista aponta possível tratamento excepcional nos Estados Unidos
Magalhães também comentou as informações sobre o deslocamento de Flávio Bolsonaro até os Estados Unidos.
Segundo o analista, o senador teria utilizado uma aeronave que passou pelo Equador antes de seguir para território americano. Uma das hipóteses levantadas por ele é que o trajeto tenha sido escolhido para evitar o espaço aéreo brasileiro.
O especialista também considera possível que a entrada de Flávio e de seus familiares nos Estados Unidos tenha sido negociada previamente, com a concessão de vistos excepcionais.
“No caso dos Estados Unidos, já se pode concluir nesse sentido que, de fato, houve uma facilitação dessa entrada de maneira muito excepcional. Não é um benefício que se estenderia a outro brasileiro qualquer”, avaliou.
As circunstâncias descritas pelo analista são baseadas nas informações disponíveis sobre a viagem e não representam uma confirmação oficial do itinerário ou dos procedimentos migratórios adotados.
‘Choro de perdedor’, diz Magalhães sobre declaração de Flávio
O analista também questionou a decisão de Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil para liderar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na avaliação de Magalhães, o senador teria melhores condições de exercer esse papel em território brasileiro, especialmente pelo apoio eleitoral recebido no segundo turno.
“Uma pessoa que chega a conquistar 60 milhões de votos numa eleição democrática recém-concluída tem muito lastro, tem muito apoio político”, afirmou.
Para ele, permanecer no país também permitiria uma mobilização mais direta de apoiadores caso Flávio enfrentasse alguma medida considerada persecutória.
“Se ele de fato quer fazer oposição, teria sido mais recomendável que o fizesse de dentro do país, porque aí sim, se houvesse contra ele qualquer perseguição política, ficaria muito mais fácil mobilizar as forças nacionais para que, de fato, o defendam”, explicou.
Magalhães também criticou a carta divulgada por Flávio nesta quarta-feira (28/10), na qual o senador se declarou o verdadeiro presidente eleito e questionou o resultado das urnas.
“A história de dizer que ‘eu sou o presidente eleito, fui eu quem venceu as eleições’ é a velha história do choro de perdedor. É uma alegação que não encontra nenhum lastro na realidade”, concluiu.