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Minas vira a página: a adesão ao Propag é um marco de responsabilidade

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IMAGEM ILUSTRATIVA (Guilherme Dardanhan/ALMG)

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A aprovação, em votação final na Assembleia Legislativa, da adesão do Estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) representa muito mais que uma vitória política: é a virada de chave em uma longa e angustiante novela financeira que consumiu décadas de futuro. Em jogo, a renegociação de uma dívida que ultrapassa os R$160 bilhões com a União, um peso que empurrou Minas para o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e para sucessivos anos de paralisia orçamentária.

O Propag, aprovado por unanimidade, surge como um novo contrato de confiança entre o Estado, os mineiros e o futuro. Diferentemente do RRF, que engessava e impunha sacrifícios sem perspectiva clara de recuperação, mas que era a única alternativa oferecida, o Propag abre uma janela de 30 anos para refinanciamento, permitindo ao Estado amortizar parte do saldo com ativos e, se cumprir metas, ter acesso a juros simbólicos, podendo chegar a zero. Um cenário bem distinto da agiotagem federal de IPCA mais 4%.

A construção desse acordo foi plural. O projeto do governador Romeu Zema ganhou corpo e legitimidade graças ao Legislativo, que não apenas aprimorou o texto, como criou o comitê interinstitucional de acompanhamento da execução do contrato, uma espécie de auditoria permanente com presença de todos os Poderes e órgãos de controle. É um caminho construído buscando a transparência e governança, e que evita que o acordo se transforme em um cheque em branco.

A Assembleia também garantiu o envio de relatórios periódicos ao Parlamento e vinculou o encerramento do RRF à oficialização da adesão ao novo regime, estabelecendo um roteiro claro de transição.

O que vem pela frente

A sanção do projeto pelo governador é apenas a primeira estação. O caminho ainda é técnico e político. Nos próximos 30 dias, o comitê de monitoramento deverá ser formalizado. Paralelamente, outras 13 proposições legislativas precisam ser discutidas e votadas, entre elas, o projeto que trata do teto de gastos e aquele que pode, ou não, dispensar consulta popular para alienação de estatais como Cemig, Copasa e Codemig.

Neste ponto, o recado do presidente da ALMG, Tadeu Leite, foi claro: “Não entregaremos tudo. Entregaremos o necessário.” Uma prudência necessária, pois vender patrimônio público não pode ser solução de impulso, mas instrumento estratégico dentro de um plano estruturado. O Estado não precisa se desfazer de seu patrimônio de maneira indistinta; deve sim negociar com inteligência e autonomia o que for indispensável à quitação da dívida.

O melhor cenário, segundo o próprio presidente da Casa, seria amortizar 20% da dívida logo no início, o que representaria uma economia de cerca de R$250 bilhões ao longo de três décadas. O vice-governador, Mateus Simões, admite até um volume maior de amortização, diminuindo até o principal da dívida. Um alívio monumental para as contas públicas e para o contribuinte mineiro.

O acordo mineiro tem dimensão nacional

A união de esforços entre Assembleia, governo estadual, Congresso Nacional e Executivo federal mostra que, apesar de diferenças ideológicas, o Brasil pode e deve pactuar soluções institucionais robustas. A gratidão expressa por Tadeu Leite ao senador Rodrigo Pacheco, ao presidente Lula e ao governador Zema indica uma rara convergência. E ela é bem-vinda. Afinal, o desafio é grande demais para ser enfrentado com palanque; é preciso pragmatismo, serenidade e senso de urgência.

Ao aprovar a entrada no Propag, Minas se reconcilia com seu próprio potencial. Ganha tempo, ganha fôlego e, acima de tudo, ganha esperança.

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Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

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