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Festival Mundial da Cachaça movimenta a economia de Salinas e reforça o valor da produção artesanal

Por

Roberth R Costa

Roberth R Costa
  • 11/07/2025
  • 08:45

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Presidente da Apacs durante entrevista na 98 News (98 News/Reprodução)

Presidente da Apacs durante entrevista na 98 News (98 News/Reprodução)

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A capital mundial da cachaça está em festa. Começa nesta sexta-feira (11/7), em Salinas, no Norte de Minas, a 22ª edição do Festival Mundial da Cachaça — evento que reúne mais de 80 marcas e impacta diretamente a economia local, o turismo e o comércio da região. A cidade, com cerca de 43 mil habitantes, recebe visitantes de vários estados e esgota a rede hoteleira durante os três dias de programação.

O presidente da Associação dos Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas, Jean Henrique de Oliveira, destaca que o festival é o principal evento da cidade.

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“Salinas é uma cidade de 43.000 habitantes, segundo o censo IBGE. E esse ano nós temos 1.525 leitos e eles todos estão ocupados para os três dias do evento. Então, movimenta desde a mercearia até os grandes supermercados, hotéis e restaurantes. É um evento de grande impacto na economia nossa aqui local.”

“O festival da cachaça, além dos expositores de cachaça também, a gente consegue abranger vários outros setores daqui de Salinas e também de outras cidades. Esse ano nós estamos recebendo cachaça de Curitiba, Caxambu, pessoal do Nordeste tá em peso também. Então, movimenta muito não só o setor produtivo da cachaça, mas toda rede hoteleira, todos os mercados, bares, restaurantes.”

Público diverso e visibilidade nacional

O festival atrai produtores, comerciantes e visitantes de várias partes do Brasil, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraíba e Paraná.

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“A gente recebe todo tipo de público. Desde fornecedores, vem de São Paulo, a gente tá recebendo visita lá de produtores de cachaça de Jandaia do Sul, de produtores de cachaças de Areia, na Paraíba. Então, o mineiro, né, é o estado onde tem o maior número de alambiques, mas também o pessoal de fora vem prestigiar, vem conhecer, vem saber o que a gente tem de interessante aqui, que tem tanto reconhecimento.”

Segundo Jean, Salinas tem se fortalecido como um polo não só pela tradição familiar, mas também por atrair novos empreendedores interessados no setor.

“Houve a sucessão familiar. A maioria dos nossos alambiques aqui são de sucessão familiar. O pai começou, o avô começou. Temos o caso da Havana que tá fazendo 84 anos esse ano aqui. Já tá no filho e no neto. E também tem aqueles que veem a importância, o potencial que Salinas tem no setor da cachaça para poder investir aqui na cidade.”

“Tem uma marca aqui com o nome, que tem um know-how de venda em todo o país e vem de São Paulo. A gente tem associado que tem marcas aqui em Salinas, tem empresas aqui, investe aqui e que mora em São Paulo, que o negócio dele é São Paulo, é Brasília, e que aproveita, de certa forma, de uma forma positiva, do que a gente tem de fama, de melhor, né?”

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Indicação geográfica e valorização do produto

Desde 2012, a cachaça de Salinas possui indicação geográfica, selo que certifica a origem e o modo de produção. O reconhecimento trouxe segurança para o consumidor e ajudou a valorizar o produto.

“O selo de indicação geográfica vem para, de fato, reconhecer o produto autêntico que é produzido aqui dentro da nossa região. É uma forma de fazer com que o produtor mantenha as qualidades. A gente foi reconhecido desde o plantio da cana, da forma de produzir, usando alambique de cobre. Então, é uma forma de regularizar o mercado e valorizar o produto.”

Jean relata que o selo também protege a autenticidade do produto frente a falsificações e rótulos indevidos.

“Todo mundo quer tirar proveito do nome Salinas. A gente roda o Brasil inteiro, a gente vê cada barbaridade: cachaça de Salinas que ninguém nem sabe o que tem dentro. Para o consumidor, é uma forma dele ter certeza que ele está comprando um produto autêntico, com procedência e que, de fato, é feito nas melhores maneiras. Tem um conselho regulador que gere esse selo e que dá a autonomia de poder usar na garrafa ou não.”

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Desafios e potencial de expansão

Apesar da valorização, a cachaça artesanal ainda enfrenta um desafio de imagem no mercado nacional e de ampliação no mercado internacional.

“A cachaça ainda tem uma lacuna muito grande. A maioria do pessoal conhece só a 51, a Pitu. E a gente vem com a cachaça de alambique trabalhando. Em números de exportação, por exemplo, a cachaça de alambique representa só 3% de toda a cachaça que é exportada do Brasil.”

“Então, a gente tem um trabalho muito grande para fazer, de reconhecimento, de quebrar paradigmas, de tirar aquele preconceito de pinga, de pingus, de cachaceiro. Salinas hoje tem cachaça de mais de R$ 1.000 de valor de mercado. Virou um produto premium, armazenado em madeira de carvalho, com um nível de elaboração altíssima.”

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Festa, cultura e negócios

Além da valorização econômica, o festival é uma celebração cultural e gastronômica. Jean aproveita para convidar os ouvintes e visitantes:

“A gente tá falando do nosso festival, das nossas raízes, que é a nossa cachaça. E também aproveitar e convidar todos para participar do 22º Festival Mundial da Cachaça de Salinas. Tem gastronomia, show com atrações nacionais — Leonardo, Nathan e Lima —, tem shows regionais também e muita cachaça para degustar. Quem quiser vir a Salinas ou que está em Salinas, não deixe de nos visitar, de conhecer os nossos estandes, os nossos produtores, para estar degustando uma excelente cachaça nesses três dias de festa.”

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