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A importância do emprego temporário para o mercado de trabalho

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O emprego temporário cumpre um papel importante no curto prazo (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

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Uma pergunta é recorrente no debate econômico, especialmente em momentos de desaceleração: emprego temporário resolve o problema do mercado de trabalho?

Em períodos de fim de ano, grandes eventos, safras agrícolas ou programas emergenciais do governo, a geração de vagas temporárias costuma ser celebrada como sinal de recuperação econômica. Mas é preciso ir além do número imediato e olhar para a qualidade e a sustentabilidade dessas vagas. O emprego temporário cumpre um papel importante no curto prazo.

Ele ajuda a suavizar flutuações sazonais da economia, permite que empresas ajustem sua força de trabalho a picos de demanda e gera renda imediata para trabalhadores que, muitas vezes, estavam fora do mercado. Do ponto de vista social, isso não é irrelevante. Há alívio de renda, redução na meta de desemprego e algum fôlego para o consumo.

O problema começa quando o emprego temporário passa a ser tratado como uma solução estrutural. Vagas temporárias, por definição, têm data para acabar. Elas não geram estabilidade, não incentivam o investimento em qualificação e não criam vínculos duradouros entre trabalhador e empresa. Quando o ciclo sazonal termina, o desemprego reaparece, muitas vezes com mais frustração e insegurança.

Economias que crescem de forma consistente não o fazem por meio de contratações episódicas, mas pela criação de empregos permanentes, produtivos e bem remunerados. Isso exige investimento privado, aumento de produtividade, inovação e um ambiente institucional que reduza riscos. Empresas só contratam de forma duradoura quando têm previsibilidade, regras claras, segurança jurídica e custo de capital compatível com projetos de longo prazo.

Há também um efeito estatístico que precisa ser observado com cuidado. O aumento do emprego temporário pode melhorar os números oficiais no curto prazo, mas não melhora os fundamentos do mercado de trabalho. Ao contrário: pode mascarar problemas estruturais, como baixa qualificação, informalidade elevada e pouca geração de valor agregado na economia.

Quando o governo tenta estimular o emprego apenas por meio de programas temporários ou incentivos de curtíssimo prazo, o resultado costuma ser o mesmo: custo fiscal elevado e impacto limitado no tempo. Sem atacar os entraves à produtividade — como a burocracia excessiva, o sistema tributário complexo, a infraestrutura precária e a insegurança regulatória —, o emprego criado não se sustenta.

Em economia, não existe alquimia. Não há atalhos para gerar emprego de qualidade de forma permanente. Trabalho duradouro nasce de investimento, produtividade e confiança no futuro. O emprego temporário pode ajudar, pode aliviar, mas não substitui reformas, crescimento sustentado e um ambiente de negócios funcional. Olho no mercado de trabalho neste início de ano.

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Izak Carlos

É economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Formado em economia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com MBA em Gestão Financeira pela Fundação Getúlio Vargas, mestrado e doutorado em economia aplicada pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), já atuou como economista, especialista e consultor econômico da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). Izak também é sócio-diretor da Axion Macrofinance e Especialista do Instituto Millenium.

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