Juiz de Fora enfrenta um dos episódios mais graves provocados pelas chuvas neste ano. O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais confirmou 16 mortes após o temporal que atingiu a cidade nas últimas horas, e a Prefeitura de Juiz de Fora decretou luto oficial de três dias. Mais de 400 pessoas estão desalojadas, segundo a Defesa Civil. Em Ubá, na mesma região, outras quatro mortes foram registradas. Enquanto as cidades contabilizam os danos, a previsão indica que o volume de chuva deve continuar elevado nos próximos dias.
As duas cidades da Zona da Mata sofrem impactos desde a noite de segunda-feira (23/2). Vídeos publicados nas redes sociais mostram ruas e avenidas alagadas, imóveis que desabaram e moradores sendo resgatados por equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. Em Ubá, o prefeito classificou o temporal como um dos mais devastadores da história do município e pediu apoio aos governos estadual e federal.
Do ponto de vista meteorológico, o cenário segue preocupante. De acordo com a meteorologista Anete Fernandes, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Juiz de Fora já registrou mais que o dobro da média histórica de fevereiro.
“A média histórica para fevereiro em Juiz de Fora é de 170,3 milímetros. Até ontem, na nossa estação convencional de referência, já tínhamos acumulado 441,5 milímetros, ou seja, mais que o dobro da média para o mês”, explicou.
Segundo ela, a situação é resultado da combinação entre a atuação de uma área de baixa pressão no litoral do Sudeste, tecnicamente chamada de cavado, e a circulação de ventos em altos níveis da atmosfera, típica do verão, que amplia as áreas de instabilidade.
“O principal problema é a recorrência: chove praticamente todos os dias desde o dia 18”, afirmou a meteorologista. Apenas entre domingo e segunda-feira foram mais de 80 milímetros, e o mesmo volume voltou a ser registrado de segunda para terça.
Alerta laranja
O solo já se encontra saturado, o que aumenta o risco de novos deslizamentos e alagamentos. O Inmet mantém aviso laranja para todo o estado de Minas Gerais, com previsão de chuva persistente pelo menos até sexta-feira. Para a Zona da Mata e o Vale do Rio Doce, há expectativa de volumes ainda mais expressivos entre quinta e sexta.
A recomendação é que a população acompanhe os alertas da Defesa Civil e evite áreas vulneráveis. A tendência, segundo o órgão meteorológico, é de manutenção do tempo instável nos próximos dias.
