A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai apresentar, nesta quarta-feira (4/3), a primeira etapa das obras de restauração da Casa da Glória, em Diamantina. A visita técnica contará com a presença de representantes da Embaixada dos Estados Unidos e está marcada para as 13h.
As intervenções começaram em 2022, com financiamento do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Durante o evento, haverá descerramento de placa com a participação da reitora da UFMG, Sandra Goulart Almeida, além de autoridades locais.
Construída no século XVIII e considerada um dos principais cartões-postais da cidade, a Casa da Glória está fechada para visitação desde 2020, quando, durante a pandemia de covid-19, foi identificada uma infestação de cupins na estrutura. Desde então, o processo de restauro incluiu controle da praga, intervenções estruturais com preservação das técnicas construtivas originais, como adobe e pau-a-pique, redesenho da parte elétrica e pintura. As obras são realizadas com autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Nesta primeira etapa, já foram concluídos os espaços da biblioteca e alguns dormitórios. A previsão da Universidade é finalizar todo o restauro até 2027, quando o imóvel deverá ser reaberto ao público.
Segundo o professor Tiago Amâncio Novo, vice-diretor do Instituto de Geociências (IGC) da UFMG, a Casa da Glória é um símbolo da identidade local. “Ela é o cartão-postal de Diamantina. A cidade, inclusive, ganhou portais na entrada que remetem ao passadiço. O monumento é a identidade visual de Diamantina”, afirmou.
Desde 1979, o conjunto arquitetônico integra o IGC da UFMG, após ter sido adquirido pelo então Ministério da Educação e Cultura (MEC) para sediar o Instituto Eschwege, posteriormente denominado Centro de Geologia Eschwege (CGE). No espaço, eram oferecidos cursos de geologia de campo e mapeamento geológico para estudantes de todo o país.
História e transformações
A Casa da Glória é formada por construções de diferentes períodos e estilos arquitetônicos. A parte principal é setecentista, com data estimada entre 1775 e 1800. A autoria é atribuída a Manuel Viana, marido de Dona Josefa Maria da Glória, que residiu no imóvel até 1813, origem do nome pelo qual o prédio ficou conhecido.
No início do século XIX, a Casa passou a ser administrada pelo Estado e serviu de residência para intendentes. Ao longo dos anos, recebeu visitas de estudiosos como Auguste de Saint-Hilaire, John Mawe, Wilhelm Ludwig von Eschwege, J.B. von Spix e von Martius.
Em 1864, o imóvel foi transferido para a Igreja e se tornou sede do Segundo Bispado de Minas Gerais, passando a abrigar os bispos de Diamantina. Poucos anos depois, por volta de 1867, sofreu adaptações para acolher religiosas da ordem de São Vicente de Paulo, funcionando como orfanato e, posteriormente, como Educandário Feminino de Nossa Senhora das Dores.
O icônico Passadiço da Glória, construído para ligar as duas casas que abrigavam o educandário e o orfanato, inicialmente gerou controvérsia, mas acabou incorporado à paisagem urbana. Tornou-se símbolo da campanha que garantiu a Diamantina o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1999.
