O desabamento de um prédio no bairro Jardim Vitória, na região Nordeste de Belo Horizonte, nesta quinta-feira (5/3), voltou a levantar questionamentos sobre as condições estruturais de edificações que abrigam moradores e serviços na capital. Especialistas alertam que sinais de risco muitas vezes aparecem antes de um colapso, mas podem passar despercebidos por quem não tem formação técnica.
Em entrevista à 98 News, a engenheira civil e perita Ludmila Leles explicou que, embora o caso ainda precise ser investigado por meio de perícia, a análise técnica de um desabamento costuma considerar três fatores principais: o projeto da edificação, a execução da obra e a manutenção ao longo do tempo.
Segundo a especialista, é essencial verificar se a construção seguiu o projeto original e se eventuais ampliações foram feitas com avaliação técnica adequada. “Partindo do ponto de vista da engenharia, a gente analisa três pilares fundamentais: primeiro o projeto bem calculado e dimensionado; segundo, se esse projeto foi realmente executado conforme o planejado; e terceiro, as inspeções periódicas”, explicou.
No imóvel que desabou no Jardim Vitória, funcionavam diferentes atividades em cada pavimento. Havia um lar de idosos no primeiro andar, uma residência no segundo e uma academia no terceiro. De acordo com Ludmila, a perícia deverá avaliar se o prédio foi projetado para suportar essa configuração ou se houve ampliações posteriores sem o devido recalculo estrutural.
“Precisa ser avaliado se o projeto era de um, dois ou três andares e se houve ampliações ao longo do tempo. Se foi dimensionado para uma coisa e depois sofreu mudanças sem recalcular a estrutura, isso vira um ponto de atenção”, afirmou.
Sinais de risco
A engenheira destaca que, antes de um colapso estrutural, muitas construções apresentam sinais de alerta. No entanto, moradores e usuários do imóvel nem sempre reconhecem a gravidade desses indícios. “As estruturas sempre falam. Pode ter uma trinca, uma porta emperrada, barulhos na estrutura. São sinais que podem indicar problema, mas muitas vezes quem mora ali não consegue avaliar porque não tem formação técnica”, disse.
Entre os indicativos que exigem atenção estão rachaduras que aumentam com o tempo, portas ou janelas que passam a travar e ruídos incomuns na estrutura do prédio. Nesses casos, a recomendação é procurar imediatamente um profissional habilitado para avaliar a situação.
Outro ponto ressaltado pela especialista é que toda edificação precisa de manutenção periódica, independentemente da idade do imóvel. Pintura, infiltrações e exposição de elementos estruturais também podem comprometer a segurança ao longo dos anos.
Segundo Ludmila, além da vistoria técnica, moradores também podem colaborar com a prevenção observando mudanças no imóvel. “As estruturas sempre falam. Pode ter uma trinca, uma porta emperrada, barulhos na estrutura. São sinais que podem indicar problema, mas muitas vezes quem mora ali não consegue avaliar porque não tem formação técnica”, disse.
A definição de responsabilidades em casos de desabamento depende da investigação técnica. O trabalho pericial vai identificar se houve falha de projeto, execução inadequada, ausência de manutenção ou outro fator que tenha contribuído para o colapso. “Esse edifício vai passar por uma perícia onde será avaliado o que contribuiu para o desabamento e onde houve falha que levou ao colapso da estrutura”, concluiu a engenheira.
