O presidente estadual do PDT em Minas Gerais, Mário Heringer, afirmou que a indefinição do senador Rodrigo Pacheco prejudicou a tentativa de unificar a centro-esquerda no estado.
Segundo Heringer, a ausência de um posicionamento claro do parlamentar — atualmente no PSB — abriu espaço para o avanço da direita, que, na avaliação dele, está mais organizada em Minas.
“Esse era o nosso objetivo desde o início, mas como é que alguém que está na política fica na política sem apresentar esse nome, sem fazer esse nome, sem ter liberdade de construir esse nome? O que aconteceu e está acontecendo conosco é que o Senador Pacheco não se posicionou e o carro está andando. Então acho que já passou da hora dele decidir, sabe? O Pacheco é grande demais para entrar na eleição agora para tomar uma coça, porque é o que está se avizinhando.”, afirmou.
A declaração foi dada em entrevista à TV Assembleia de Minas Gerais.
Perdas na janela partidária
Heringer também comentou as perdas do PDT durante a janela partidária. A bancada nacional do partido caiu de 17 para 11 deputados. Em Minas, a sigla passou de três para apenas um representante.
De acordo com o dirigente, a redução da força política da legenda está ligada, principalmente, à saída do ex-ministro Ciro Gomes, que se juntou ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).
Eleições em Minas
Sobre as articulações para o governo do estado, Heringer negou a possibilidade de o PDT abrir mão de uma candidatura própria para apoiar o PT. Atualmente, o candidato ao governo pelo PDT é o ex-prefeito Alexandre Kalil.
Ele destacou que o cenário ainda está em construção e que eventuais mudanças dependerão de negociações internas.
“Só quem tira ele da posição de candidato a governador é ele próprio, porque isso foi um acordo que nós fizemos. Então, todas as especulações podem ser feitas. O Kalil pode ficar até o final? Eu espero que sim. O Kalil pode negociar e sair se ele for? Ele vai ter que participar disso pra gente, vai ter que falar, e é natural.””, disse.
Cláusula de barreira preocupa partido
O presidente do PDT também demonstrou preocupação com a cláusula de barreira nas eleições deste ano, que exige desempenho mínimo para que os partidos tenham acesso ao fundo partidário e ao tempo de rádio e televisão.
Para cumprir a regra, as siglas precisam atingir ao menos 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos nove estados, ou eleger 13 deputados federais também em nove unidades da federação. Heringer afirmou que a meta do partido é alcançar esse patamar. Em Minas, a expectativa é eleger ao menos um deputado federal, com projeção de até três cadeiras.
A Rede 98 entrou em contato com a equipe do senador Rodrigo Pacheco (PSB) e aguarda posicionamento.
*Estagiário sob coordenação do editor Guilherme Ibraim
