O avanço das investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master aumentou a pressão sobre a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026. Apesar da movimentação nos bastidores do PL, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro avaliam que qualquer decisão sobre a manutenção ou não do nome de Flávio dependerá exclusivamente do próprio Bolsonaro. As informações são da coluna de Julia Duailibi, do O Globo.
Nos últimos dias, integrantes da cúpula do PL passaram a discutir o impacto político do caso após a repercussão negativa dos áudios envolvendo Flávio e Vorcaro, dono do Banco Master e alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
A crise ganhou novos capítulos nesta semana com a deflagração da 7ª fase da operação, que apura um suposto vazamento de informações sigilosas da investigação. Um perito criminal federal foi alvo de mandados de busca e apreensão e acabou afastado da função por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Nos bastidores do partido, dirigentes avaliam que os próximos dias serão decisivos para medir os impactos eleitorais do caso sobre Flávio Bolsonaro. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, no entanto, negou que exista um prazo formal para retirada da candidatura e afirmou que a discussão interna está relacionada ao desempenho nas pesquisas eleitorais.
Mesmo diante da pressão, a tendência é que Jair Bolsonaro mantenha o filho na disputa. A avaliação de aliados é que a candidatura de Flávio ajuda a preservar a unidade do eleitorado bolsonarista em torno da família Bolsonaro, evitando espaço para o crescimento de outros nomes da direita.
Antes da crise envolvendo Vorcaro, Flávio vinha apresentando crescimento nas pesquisas nacionais, especialmente após adotar um discurso considerado mais moderado por aliados e interlocutores do mercado político.
Levantamento recente da AtlasIntel/Bloomberg mostrou, porém, uma queda do senador após a divulgação dos áudios relacionados ao caso Master. No principal cenário de primeiro turno testado pela pesquisa, Flávio caiu de 40,1% em março para 34,3% em maio. No segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador passou de 47,8% para 41,8%.
A pesquisa também apontou que 64,1% dos entrevistados consideram que o vazamento dos áudios enfraqueceu a candidatura do senador.
Enquanto isso, o governo Lula acompanha o desgaste do adversário e tenta acelerar agendas econômicas e sociais com potencial de impacto eleitoral para 2026.
